Tempo de Espera

Encontra-se o Brasil com um dos maiores índices de desemprego de sua triste história econômica, um contingente próximo à da população da cidade de São Paulo. A reversão dessa barbárie só ocorrerá se o empresariado, de maneira geral, convencer-se que o jogo político em curso, onde Michel Temer terá de enfrentar, inclusive, oponentes dentro da base aliada, será favorável ou não às necessidades do país, já que muitos políticos ainda não vislumbraram o estado deplorável da economia e do tecido social.

Na atualidade, sem fortes investimentos privados, não há a mais remota possibilidade de crescimento econômico e social. Para que o chamado “espírito animal” empresarial seja despertado, algumas decisões duras terão que ser tomadas imediatamente: uma diminuição acentuada da taxa de juros (que choca-se com o problema da inflação resistente em altos patamares), avanço  das Parcerias Público-Privadas objetivando a reconstrução da precária infraestrutura brasileira, diminuição do déficit público visando recuperar a capacidade de investimento estatal (União, Estados e Municípios) e reforma contundente da claudicante Legislação Trabalhista, com ênfase na aprovação do Marco Legal, incrementando e aperfeiçoando o processo de terceirização das atividades.

Não seria por demais afirmar que se a população em geral não pressionar os políticos essas mudanças não ocorrerão e o nível de emprego não se recuperará tão cedo. A inação nesse aspecto delegará ao avanço da tecnologia a oportunidade de tornar a Legislação Trabalhista, letra morta, já que muitas das chamadas atividades-fim estão desaparecendo em caráter mundial. Algumas notícias ajudam a focar melhor o problema.

1. Título: “Navios de Carga Podem Dispensar Tripulação no Futuro” 

(…) Projetistas de navios, operadores e reguladores estão se preparando para um futuro em que embarcações de carga irão cruzar os oceanos com uma tripulação mínima ou mesmo sem nenhuma. Avanços na automação e uma comunicação de dados cada vez mais veloz, mesmo no meio do oceano, podem causar a maior transformação no transporte marítimo desde que os motores diesel substituíram os a vapor. (…) Uma futura embarcação não tripulada pode se assemelhar aos mais avançados drones de combate. Ela poderia ter detectores infravermelhos, câmeras de alta resolução e sensores a laser para monitorar seus arredores. (…) Pode-se chegar a navios cargueiros não tripulados até 2030 e navios totalmente autônomos até 2035.

(Fonte: Valor Econômico, 2/9/16, pág. B-9)

2. Título: “A Vida na Mina Sem Ninguém ao Volante”

(…) Na Suécia, a montadora de veículos pesados Volvo desenvolveu um novo caminhão para uma mineradora. Tal caminhão é chamado FMX. O referido veículo fica tão escondido quanto a prata e o ouro explorados pela mina de Boliden, de onde saem também cobre e zinco. Com a ajuda de sensores, o veículo circula a 800 metros de profundidade. (…) Um mundo de veículos sem motorista, seria uma maravilha. Ele não precisa sequer olhar para a trilha percorrida pelo FMX. O caminhão segue em frente, desliza suavemente em curvas sinuosas e, finalmente, dá, sozinho, a marcha a ré, para voltar ao ponto de partida. (…) No Brasil, o caminhão autônomo já começou a ser testado também em plantações de açúcar.

(Fonte: Valor Econômico, 6/9/16, pág. B-3)

3. Título: “O Bolsa Família dos Países Ricos”

(…) Um estudo feito pela Universidade de Oxford, na Inglaterra, analisou 700 postos de trabalho, com diferentes graus de complexidade e chegou à conclusão de que 47% deles poderão ser automatizados nos próximos 20 anos. Robôs comandados por algoritmos deverão ser capazes de realizar tarefas que sempre precisaram de interação humana, como dirigir automóveis e caminhões para o transporte de mercadorias. Estima-se que um terço dos postos de trabalhos no setor de varejo na Europa desaparecerá até 2025, em razão do desenvolvimento da robótica.

(Fonte: Revista Exame CEO, 09/16, págs. 58/59)

4. Título: “Bancos tentam controlar despesas com redução de agências e pessoal”

(…) Para cortar gastos, as medidas adotadas pelas instituições financeiras têm ido em duas principais linhas: a redução de agências e a diminuição do quadro de pessoal. (…) Nos 12 meses encerrados em junho, os 4 grandes bancos fecharam um total de 413 agências. Para comparação, apenas 19 agências foram fechadas  entre junho de 2014 e junho de 2015. (…) A redução das agências está ligada ao uso crescente de canais de atendimento digital por parte dos clientes. (…) Os bancos também têm enxugado o quadro de funcionários, em especial ao não repor aqueles que deixam a instituição ou se aposentam. Entre junho de 2015 e junho de 2016 os 4 maiores bancos cortaram 12.200 postos de trabalho.

(Fonte: Valor Econômico, 13/9/16, pág.C-1)

5. Título: “Uber lança primeira frota de táxis autoguiados”

(…) O Uber lançou, ontem, sua primeira frota de táxis autoguiados em Pittsburgh, Pensilvânia (EUA), e pulou à frente de empresas como Google, Tesla, Ford e GM na corrida para desenvolver tecnologias para veículos autônomos. (…) Para o Uber, os veículos autônomos são uma aposta de longo prazo no que a empresa acredita que será o futuro do transporte urbano e no que poderia, no fim das contas, reduzir o custo do transporte ao acabar com a necessidade de motoristas. Portanto, assim como já ocorreu em países desenvolvidos, logo o Brasil será alcançado por essas tendências de automação em velocidade acelerada, provocando irreversíveis danos ao já decrescente número de postos de trabalho.

(Fonte: Valor Econômico, 15/9/16, pág.B-6)

Um novo Brasil

A  nação brasileira tem assistido estupefata desde 2014 a uma série de eventos nunca imaginados. Por um lado alegria, pelo fato de que as instituições estão funcionando mesmo com sérios problemas. De outro, um sentimento de extrema tristeza ao descobrir o descalabro moral e econômico em que se encontra o Brasil.

Como tudo em nossas vidas, não há como desistir da esperança de dias melhores para que as próximas gerações possam viver num ambiente sócio/político e econômico mais saudável. Sem dúvida alguma que muitas dificuldades ainda serão enfrentadas, mas há alguns fatos alvissareiros que precisam ser considerados:  

1. A chegada de Temer ao comando do país revela-se algo positivo, tanto pela possibilidade de corrigir falhas de gestão como pela saída de um governo que mostrou-se despreparado para exercer o poder.
2. O forte movimento de debandada do PT e de proximidade com a  presidente para não só evitar uma derrocada como tentar uma chance em 2018.
3. Michel Temer se compromete a não candidatar-se às eleições de 2018, o que aumenta as chances de angariar apoio expressivo na Câmara.
4. O PSDB já se juntou ao futuro governo não apenas como apoio no Congresso, mas como integrante ministerial.
5. Meirelles, ex presidente do BC, tem credibilidade política e técnica para executar os ajustes necessários.
6. As reformas de caráter estrutural (Trabalhista, Previdenciária, extinção da estabilidade do funcionalismo público e desvinculação orçamentária), antes consideradas desnecessárias, agora são consideradas como prioritárias.
7. A privatização de estatais deficitárias e do setor de infraestrutura.
8. Aumento dos preços das commodities no mercado internacional (minério de ferro, soja e petróleo).
9. As taxas de juros nos contratos de longo prazo negociadas no mercado estão em queda, bem como as perspectivas inflacionárias para o biênio 2016/2017.
10. Com o fortalecimento das Contas Externas espera-se um saldo positivo da Balança Comercial de U$ 54 bilhões, ante o negativo de U$ 7 Bilhões em 2015. Também o desmonte das intervenções do BC no mercado cambial é um fator satisfatório, já que o nível de turbulência deve amainar-se com a troca de governo.
11. Fim da vinculação das aposentadorias ao salário mínimo e um ajuste no valor exagerado das pensões.
12. O capital estrangeiro não especulativo começa a movimentar-se em direção ao Brasil.
13. Franca recuperação das exportações.

Indubitavelmente, se pelo menos uma parte dessas ações elencadas for colocada em prática com êxito já no segundo semestre de 2016, será possível perceber-se uma sensível melhora nas expectativas em relação à economia.

Brazil

Brazil (com Z) – Riqueza Inesgotável

Nos últimos 2 meses a população vem digerindo “um cardápio indigesto”, ao receber as notícias do dia-a-dia. Desemprego ascendente, fábricas parando ou reduzindo a produção, inadimplência acentuando-se, volatilidade cambial, aumento brutal de tarifas públicas e impostos, violência crescente, taxas de juros elevando-se, desentendimentos entre os integrantes da Câmara e do Senado, corrupção em larga escala etc. Enfim, desalento de maneira geral.

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Solidez financeira e longevidade

O tema que intitula este artigo tem sido objeto de intensos debates  e estudos ao redor do mundo nos últimos 20 anos, principalmente por parte do FMI (Fundo Monetário Internacional), OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), OMS (Organização Mundial da Saúde), além de governos e universidades renomadas. Notadamente após a constatação de que tem havido aumento significativo da expectativa de vida humana, ao mesmo tempo em que ocorre o enfraquecimento financeiro dos sistemas de Previdência Social.

Segundo os últimos estudos disponíveis sobre o assunto realizados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), nas próximas duas décadas, a população brasileira com idade acima de 60 anos vai passar dos atuais 23 milhões para 88 milhões de pessoas. Quando isso ocorrer, os idosos representarão aproximadamente 40% da população brasileira, um perfil demográfico próximo ao europeu atual, onde há pouquíssimas crianças. Portanto, cada vez menos pessoas contribuindo com o sistema previdenciário.

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Desgovernança estatal

Desgovernança Estatal e suas consequências

O ano de 2015 teve o condão de estarrecer, sobre todos os aspectos, até aos cidadãos mais bem informados e incrédulos. O cenário econômico-político e social, e a desgovernança estatal ao final de 2014, previa um ano preocupante, que avizinhava-se. Porém, a tempestade revelou-se infinitamente mais severa, cujos desdobramentos indubitavelmente irão estender-se até 2017 / 18, pelo menos, prejudicando principalmente os menos favorecidos. Desarranjos políticos nunca vistos na história econômica brasileira, correlacionando-se diretamente com inimaginável  grau de incompetência administrativa estatal, corrupção sistêmica, mentiras deslavadas, uso massivo da máquina pública para a manutenção de um projeto de poder natimorto, destruição dos fundamentos das finanças públicas (e infantil tentativa de escondê-la), câmbio desajustado, além de um explosivo processo inflacionário, que forçará o Banco Central, indubitavelmente, a elevar a SELIC a 17% a.a. num curto espaço de tempo, provocando o aumento da dívida pública e gerando consequentemente grandes oportunidades de ganhos com arbitragem de taxas de juros, aos atentos operadores do mercado financeiro, normalmente muito capitalizados. (mais…)

Oportunas Crises

Oportunas crises

A  atual  grande  oportunidade, também chamada de crise, em que se encontra a economia brasileira, não foi a pioneira nem será a última, para nossa sorte. A humanidade, desde tempos imemoriais, passa por períodos curtos e longos de grande euforia e depressão econômica, com suas respectivas conseqüências políticas  e  sociais. Mais importante do que as lamúrias, é a observação das transformações positivas que esses períodos de alta turbulência oferecem.

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Liberalismo econômico

Liberalismo econômico

Nunca praticados na sociedade latino-americana, os ideais liberais sempre foram execrados por absoluta ignorância a respeito de suas virtudes. Essa doutrina embasou as revoluções antiabsolutistas que aconteceram notadamente na Inglaterra e França (séculos XVII e XVIII) e também a luta pela independência norte-americana. Defendia:

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Repensando o Brasil

Repensando o Brasil

No fim do mês de agosto passado, ocorreram dois eventos no Brasil, de suma importância para melhor entender o atual momento político/econômico/social porque passam o país e o resto do mundo, bem como suas inter-relações, visando traçar variados cenários. No período de 27 a 29/8, ocorreu na aprazível Campos de Jordão, a 7º Edição do Congresso Internacional de Mercados Financeiros e de Capitais, organizada pela BM&F Bovespa.

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Consolidação do sistema bancário privado no Brasil

A compra do HSBC pelo Bradesco praticamente encerra um ciclo de grandes fusões e incorporações bancárias no país. Desde o momento em que perdeu o posto de maior banco privado brasileiro, ocasionado pela fusão do Unibanco com o Itaú, a  instituição procurava voltar ao primeiro lugar no ranking. Em termos de valor de ativos, a operação aproximou-o do Itaú Unibanco. De acordo com dados publicados na edição de Maio/15, pela conceituada revista Forbes,o Itaú Unibanco Holding ocupa a posição 42, no ranking das 100 maiores empresas de capital aberto no mundo e o Bradesco a posição 61. Indubitavelmente são dois gigantes sólidos, que pertencem ao setor de atividade que pode ser considerado no chamado “Estado da arte“, da excelência em gestão empresarial.

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