POST_20_JUN_2017

TECNOLOGIA X EMPREGOS

Diante da mais forte turbulência econômica e política já ocorrida no Brasil tenta-se aprovar uma das mais importantes reformas, a trabalhista. O uso da carcomida Legislação Trabalhista, datada dos anos 40, arrasta-se até a atualidade, como um fantasma que assombra a nação brasileira, produzindo o que há de pior em termos de custos financeiros e intermináveis litígios entre patrões e empregados, numa luta onde não há ganhadores, só perdedores. E o maior é o nosso país.

Os tempos mudaram, mas existe um ranço ideológico que ainda sustenta a falácia de que o Estado deve interferir em tudo, mesmo sendo incompetente e corrupto. Nesse aspecto, não seria por demais lembrar que, o recém-lançado Relatório Global de Competitividade Mundial situa o Brasil na posição 62 no Ranking de Corrupção, o penúltimo lugar, só perdendo para a Venezuela. Portanto, somos classificados como o segundo país mais corrupto  do mundo.

O objetivo desse dogma é manter ultrapassadas estruturas de poder, que só sobrevivem à custa de convencer a parcela ignara da população, que ser dependente das “benesses” do Estado, é algo salutar. Infelizmente, no Brasil, essas crenças só são abandonadas quando a verdade avassaladora impõem-se, por meio de crises terríveis, que poderiam ter sido evitadas, se houvesse o uso da inteligência e da honestidade de propósitos. Parece incrível, em pleno século 21, estarmos ainda discutindo se precisamos ou não mudar as regras do sistema trabalhista, enquanto somos diariamente atingidos pelo surgimento de tecnologias disruptivas (aquelas que produzem rupturas nos processos tecnológicos), que estão destruindo empregos em velocidade espantosa. Finge-se que o mundo é estático, como a fábula da avestruz.

Em Novembro de 2016, foi publicado um estudo pela Universidade das Nações Unidas e Instituto Smithsonian, denominado Projeto Millennium, que teve o propósito de fazer a conexão de instituições e indivíduos para analisar perspectivas e definir estratégias capazes de fazer frente aos desafios globais de longo prazo, influenciando transformações sociais, políticas, econômicas ou científicas. Pesquisadores, professores e pensadores, de 60 países, projetaram para até 2050, o que deverá ocorrer no mundo do emprego e da tecnologia, onde não haverá trabalho para todos. Projetaram três cenários:

Cenário 1): Tudo fica como está. A tendência é de mais desemprego onde não houver planejamento e estratégias públicas de longo prazo, sobretudo em relação à adoção de novas tecnologias. Existe a premissa de que o incremento da biologia sintética estimule o crescimento econômico, mas também seja fonte de desastres biológicos e insumo para o terrorismo. As Economias colaborativas e compartilhada serão fontes de riqueza. As novas tecnologias ajudam a aumentar a produtividade humana, sem contudo, substituir a totalidade dos empregos. Projetam para 2050 que 66% da população estará empregada ou empreendendo, e o restante se dividirá entre o desemprego e a informalidade.

Cenário 2):Ocorrência de turbulência política e econômica. Os líderes políticos estiveram tão envolvidos em conflitos de curto prazo que não puderam prever a rapidez do avanço da convergência tecnológica, que permite fabricar e imprimir o que se consome (tecnologias 3D e 4D) tornando os negócios e os sistemas tributários obsoletos. A concentração de riqueza continua, o retorno sobre o investimento em capital e tecnologia permanece maior do que o do trabalho. O enfraquecimento das economias não suporta o envelhecimento das sociedades e o desemprego em massa da juventude, conduzindo o mundo a uma realidade de caos e convulsão social. O impacto dos robôs que trabalham 365 dias por ano sem salário, nem benefício ou aposentadoria é mais alto do que o previsto; o resultado é que em 2050 quase 4 bilhões de pessoas estarão desempregadas ou na economia informal, com pouca esperança de um futuro melhor.

Cenário 3): O auto-emprego. Embora sem certeza se as novas tecnologias substituiriam mais empregos do que criariam, muitos líderes antecipam-se a estudar estratégias financeiras visando garantir renda básica universal com o intuito de eliminar a carência material extrema, reduzir a desigualdade e ajudar na transição para novos padrões de economia. Sem precisar trabalhar para ganhar a vida, as pessoas estão livres para explorar seus interesses, dedicando-se a causas para construir um futuro melhor. Com o aumento do desemprego por causa da automação muitos voltam para áreas rurais, ainda que conectados à rede mundial. A descentralização manifesta-se de várias maneiras. Na Economia da autorrealização, grande parte do crescimento criativo está na “não propriedade’’, com pouca ou nenhuma restrição ao uso compartilhado e livre. O poder individual relativiza o do governo e das corporações. Cada vez mais pessoas convertem-se em investidores. Da força de trabalho, metade trabalha por conta própria, o restante divide-se em proporções iguais, entre a informalidade, o emprego formal e a transição para o empreendedorismo”.

Em adição, o site americano “Will Robots Take My Job” (Robôs vão tirar o meu emprego?) publicou artigo em 2013, de autoria de Carl Frey e Michael Osborne, que analisaram mais de 700 profissões e calcularam a possibilidade de que elas sejam automatizadas nos próximos anos, com o avanço da tecnologia. Utilizando apenas alguns exemplos, concluíram que os taxistas e motoristas particulares têm 89% de chance de serem substituídos, os caixas de supermercado, 97%, operadores de telemarketing, relojoeiros e costureiras manuais, 99%. Na outra extremidade, a profissão de terapeuta recreativo, que executa atividades com pacientes de hospitais e casas de repouso, tem apenas 0,28% de probabilidade de ser automatizada.

Portanto, é de vital importância que se atente para esse fenômeno implacável da substituição de pessoas por máquinas, já que o mesmo atingirá cada vez mais fortemente os países subdesenvolvidos como o Brasil, usualmente pouco vigilantes às transformações do mundo moderno.

POST_14_JUN_2017

Soluções para se investir em meio à crise

RENDA FIXA

Os últimos desdobramentos políticos no Brasil têm deixado os investidores nacionais e alguns estrangeiros bastante assustados. Depois de quedas bruscas nas cotações dos ativos, de maneira geral, uma boa parte dos investidores está reticente com as perspectivas da Economia, que é fortemente impactada pelas expectativas políticas. Para expressiva parcela dos investidores nacionais, que aqui reside, ainda há boas opções de investimento, com baixo nível de risco.

Além da já consagrada Caderneta de Poupança, que pode ser usada como uma conta corrente remunerada, com liquidez mensal, há fundos de renda fixa pré e pós-fixados, cuja combinação pode ser um excelente antídoto contra a excessiva volatilidade do mercado financeiro. Também há CDBS pré e pós-fixados de bons bancos, com baixo risco de crédito e boa rentabilidade, além de Cris e Cras, isentos de IR. Uma boa corretora de valores pode auxiliar no processo de escolha, visando evitar tomar riscos desnecessários, principalmente quando se trata de pessoas não familiarizadas com o dia-a-dia do mercado.

RENDA VARIÁVEL – Setor Bancário

As análises dos últimos balanços do setor bancário mostraram uma recuperação satisfatória das margens de lucro, diminuição da inadimplência e rentabilidade do Patrimônio Líquido. A elevada resiliência a crises deu-se fundamentalmente pelos terríveis problemas enfrentados pela Economia Brasileira nos últimos 30 anos, que exigiu dessas instituições operar com rígidas normas de funcionamento, visando evitar rupturas no sistema econômico, no caso de quebra de alguma instituição. O sistema está sólido também graças a severos controles impostos pelo BC, que regulam minuto-a-minuto o funcionamento do mercado financeiro, de maneira que, qualquer anomalia possa ser detectada imediatamente.

Dos três bancos que mais se destacam, indubitavelmente, o Itaú desponta como referência de eficiência no Brasil, dentre os que têm suas ações negociadas em bolsa. No último trimestre apresentou lucro aproximadamente igual ao somatório de Bradesco e Banco do Brasil, com rentabilidade patrimonial crescente, nos últimos anos. Líder incontestável em tecnologia bancária, recentemente comprou parcela significativa da corretora XP, visando dar um salto qualitativo à frente da concorrência, relativamente ao assunto desbancarização.  Nos últimos anos, apesar das diversas incorporações que realizou, conseguiu diminuir acentuadamente o número de colaboradores e de agências, otimizando os níveis de eficiência operacional, já que a realidade da crescente utilização da tecnologia pelos clientes impõe-se a cada dia. Sua administração tem concentrado grandes esforços nos últimos anos para tornar o banco cada vez mais internacional, visando diminuir a exposição excessiva às permanentes intempéries da Economia Brasileira. Controlado pela holding ITAU.SA, tem-se revelado como um excelente investimento de longo prazo, pois também paga dividendos mensais, além de polpudos dividendos anuais.

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Reforma Previdenciária

As tratativas políticas relativas às propostas de mudanças nas regras previdenciárias, mais confundem do que esclarecem a população, de modo geral, pois há um número inimaginável de congressistas e senadores, tratando do assunto, que sabem pouco ou nada do mesmo, dada a pouca familiaridade em interpretar números. Há relatos de políticos muito capacitados em finanças, que afirmam ter presenciado casos de colegas assinando documentos que tratam de assuntos relevantes para o país, sem lerem a íntegra dos mesmos.

A baixa qualidade dos debates tem sido um fator de repulsa à ideia, independentemente da necessidade ou não da Reforma. Amadorismo puro e irresponsabilidade. Grupos fortíssimos como sindicatos e associações de funcionários públicos têm feito pressão para que as regras da Previdência fiquem como estão, continuando a gerar fortes desequilíbrios nas Contas Públicas e perpetuando injustiças, obrigando o restante da população a continuar financiando indecorosas aposentadorias, em detrimento do conjunto.

O cidadão comum pergunta: Será que essa Reforma é realmente necessária? Quais os benefícios reais dessas mudanças para as gerações atuais e futuras? A mesma será suficiente para tornar o sistema autofinanciável? Qual a periodicidade das futuras Reformas?

Os últimos estudos sérios elaborados a respeito do assunto contemplam pesquisas com jovens na faixa de 18 a 30 anos e revelam dados interessantes. Um número expressivo de entrevistados manifesta o desejo de trabalhar por conta própria e contribuir o mínimo possível com a Previdência Estatal, outros, vão evitar o pagamento da referida e optarão por Previdência Complementar. Simplesmente não querem confiar os respectivos futuros ao governo, pois não há mais confiança nos políticos. Há também jovens que, por estarem tendo um padrão educacional de alto nível, em escolas diferenciadas, não querem compromissos em ficar no Brasil e por isso também não têm interesse em vincular-se ao INSS. Afinal, motivos não faltam para viver em países com futuro já delineado.

Há muitas indagações e poucas respostas plausíveis. O momento demanda serenidade na análise do problema, até porque, altas autoridades estão seriamente comprometidas moralmente em falcatruas e, a qualquer momento podem ser retiradas dos respectivos cargos, tornando ainda mais instável, a base de apoio político a Temer, duramente conquistada pelo velho sistema do clientelismo político, troca de verbas e cargos por aprovação das Reformas. Prática abjeta que levou o país à situação atual. Portanto, não há ainda motivos concretos para acreditar que, uma possível reforma da Previdência possa tornar-se uma alavanca para o pleno desenvolvimento do Brasil, pois, a mesma pode não ocorrer. Em adição aos elementos complicadores, há a forte possibilidade de cassação da chapa Dilma-Temer, o que pode acarretar a antecipação das eleições marcadas para 2018. Dúvidas não faltam. Portanto, máxima atenção ao noticiário visando evitar problemas e aproveitar boas oportunidades de negócios que esses episódios proporcionam.

POST_28_MAR_2017

Cenário de Crise? Os caminhos para se investir

TAXAS DE JUROS

A recente diminuição das taxas de juros pagas aos investidores (SELIC), não têm produzido significativo impacto no custo dos empréstimos. A autoridade monetária (BC) trabalha com a hipótese de Selic a 9% a.a e inflação ao redor de 4,5% a.a, para o fim de 2017, desde que haja o aumento da produtividade e efetiva implantação de reformas macro e microeconômicas.

Dado que há muitas incertezas nas economias brasileira e mundial, esse cenário pode não se concretizar. Se isso ocorrer, o sistema bancário não diminuirá as taxas de juros ao consumidor e às empresas, pois, vai proteger-se contra os calotes decorrentes de novas turbulências na economia. Recentes informações publicadas em jornais especializados informam que os bancos Itaú, Bradesco, Brasil e Santander, têm conjuntamente um estoque de créditos em atraso da ordem de R$ 26,4 bilhões. Portanto, fica a sugestão; evite empréstimos de qualquer natureza.

TERCEIRIZAÇÃO

Causou frustração a muitos empresários e especialistas no assunto, a timidez das recentes medidas aprovadas. Fonte permanente de ineficiências nas relações capital-trabalho, não deverá diminuir as incertezas jurídicas das empresas que decidirem contratar por essa modalidade. Ao invés de proteger os funcionários, é causa permanente de atritos entre empregadores e colaboradores. Perde-se mais uma oportunidade de deixar para trás essa incrível vocação que o Brasil tem, com as forças do atraso. Cegueira ideológica que se arrasta desde os anos 50.

Mais um estímulo, para quem está capitalizado em ativos puramente financeiros, a não aventurar-se no mundo empresarial. Grandes fortunas no Brasil e no mundo são administradas a partir de um simples escritório, um simples computador e um único operador do mercado financeiro. Lucros estratosféricos com apenas algumas horas de trabalho por dia e sem maiores problemas. Ouro, dólar, euro, títulos públicos, commodities agrícolas e minerais, ações e opções de ações. Um cardápio apetitoso.

RENDA FIXA

A diminuição da inflação e da SELIC, abriu boas opções de investimento pré-fixados. Há rentáveis oportunidades em títulos públicos (Tesouro Direto), que podem ser adquiridos via Home Broker ou através de boas corretoras de valores.

INDICE DE (IN)FELICIDADE

O  combalido ativismo econômico estatal , prejudicou e continua afetando muitos países ao redor do mundo, inclusa a América Latina, condenando gerações inteiras à miséria e desesperança. O continente onde moramos está há décadas imobilizado, sempre pelos mesmos problemas: políticas econômicas que só geram crescimento de curto prazo ( desastrada heterodoxia ), crises políticas, máquinas públicas oneradas pelo excesso de funcionários apadrinhados e despreparados, promessas nunca cumpridas, oferta de serviços de padrão indigente, corrupção, desrespeito aos eleitores, violência exacerbada, carga tributária excessiva, crescente informalidade no mercado de trabalho, fuga de capitais, sistema educacional fragilizado, desajustes cambiais, déficits públicos crônicos, desabastecimento e inflação descontrolada. Já dizia Milton Friedman, economista norte-americano, Premio Nobel em 1976, que “a inflação é uma doença capaz de destruir uma sociedade”.

Adicione-se a esse  diagnóstico, um aumento brutal do desemprego, como ocorre no Brasil atual, e o termo não teórico que os economistas atribuem ao efeito debilitante sobre as pessoas, que redunda em infelicidade. Tal indicador piorou rapidamente em nosso país, no período 2015/16 .Segundo a Rede de Soluções em Desenvolvimento Sustentável, órgão da  ONU, que  instituiu o Dia Internacional da Felicidade desde 2012 e publica um relatório oficial apresentando a lista de países mais felizes e mais infelizes do planeta, dentre 155 países, o Brasil ficou em 2016 , na posição 22. Entre 2013/15, o país ocupou a posição 17. Entre os dados observados estão: desempenho da Economia (PIB per capita), apoio social, expectativa de vida, liberdade de escolha, generosidade e percepção de corrupção. O ranking é liderado por: Noruega, Dinamarca, Islândia, Suíça e Finlândia. Na outra ponta, os menos felizes são Ruanda, Síria, Tanzânia, Burundi e República Centro-Africana.

No caso latino-americano, a baixa produtividade das economias também contribui muito para esse descalabro, pois se trabalha pouco e com baixo padrão de qualidade. Nesse aspecto, aproveitando o hercúleo esforço que está sendo feito para reformar o sistema trabalhista, previdenciário e tributário, o empresariado e  os setores esclarecidos da sociedade deveriam começar a pressionar os políticos legisladores, objetivando eliminar o excesso de feriados prolongados(Carnaval, Copa do Mundo etc.), que prejudicam tanto a economia, quanto a corrupção, pela perda de produtividade. Será que não há demanda de serviços públicos nessas ocasiões? Não custa lembrar que há um grande e crescente número de pessoas que não tem a mínima afinidade com esses eventos acima elencados. Qual o  objetivo de obrigar essas  pessoas a suportar essa “ditadura”  dos  feriados prolongados?

Infelizmente, a falta de maturidade de grandes segmentos da sociedade brasileira é assustadora, absolutamente incompatível com o desejo de alcançar o pleno desenvolvimento econômico e social. Uma sociedade de zumbis. Outra mazela causada pelo subdesenvolvimento do Cone Sul é a baixa apetência ao empreendedorismo, insuflada pela abertura indiscriminada de vagas no setor público, que acabou tornando-se “objeto do desejo” de muitas pessoas, atraídas por  insustentáveis atrativos salariais, no longo prazo. Todo esse processo de intervencionismo acaba tornando-se um moto–contínuo, pois , as pessoas começam a demandar do Estado, cada vez mais, um nível de tutela crescente, abdicando da saudável prerrogativa de decidir os próprios destinos. E, depois, reclamam que o Estado é ingovernável e paquidérmico.

A sociedade é aquilo que dela fazemos e cabe a cada cidadão, decidir agora, de forma consciente, o que deve ser feito, visando evitar que saiamos do terceiro para o quarto mundo, como parece ser o desejo de muitos.

Euforia x Realidade

É indiscutível o fato de que houve uma melhora significativa no ânimo de empresários e consumidores, no tocante às recentes medidas tomadas pelo Governo Federal, objetivando ressuscitar a economia.

A aprovação da PEC 241, a diminuição do preço da gasolina (apesar de ainda não ter chegado ao bolso do consumidor), a notícia de que o montante a ser arrecadado com multas no processo de regularização de ativos no exterior vai garantir o cumprimento da meta fiscal, a diminuição da Taxa Selic e dos diversos índices inflacionários ajudaram a trazer alento. Porém, isso é muito pouco para ajudar a voltar a aquecer a economia, que está padecendo de um recorde absoluto em termos de: desemprego, infelicidade, inadimplência, cancelamento de planos empresariais, falências, recuperações judiciais e decréscimo permanente das receitas tributárias.

Sabe-se que o ajuste deverá ser gradual, porém, persistente, e nesse aspecto o cidadão tem em mãos uma oportunidade única de exercer pressão implacável sobre os políticos, para que votem as medidas necessárias à solução desses terríveis problemas, pois a equipe econômica nada poderá fazer sem a ajuda do Congresso e do Senado.

Queda da inflação x Taxas de juros ao consumidor

As contínuas quedas dos diversos índices inflacionários têm induzido muitas pessoas a tomar como definitiva a diminuição dos preços na economia. Nada mais errôneo.

O  setor de serviços continua com uma resistência tremenda a baixar preços e é onde apresenta-se o maior perigo para o refluxo da inflação. Também foi anunciado recentemente o aumento dos preço do etanol nas bombas, bem como um reajuste nas tarifas de energia elétrica. Ambos são insumos que devem causar algum impacto inflacionário.

É inegável também o fato de que a falta de renda da população fez com que o consumo diminuísse acentuadamente, colaborando para a baixa da inflação. Porém, dado o terrível histórico inflacionário de nosso país, fica a dúvida: será que quando a economia voltar a crescer com vigor, a inflação não recrudescerá fortemente?

Com as taxas de juros ao consumidor na modalidade cartão de crédito atingindo  480,3% ao ano, uma pessoa endividada vai pagar aproximadamente cinco vezes mais por sua dívida original ao fim do financiamento. E se a inflação voltar a acelerar corre o risco de ter sua dívida ainda mais aumentada pelo contínuo aumento da taxas de juros.

Portanto, muito cuidado com o endividamento e a euforia do consumo, o chamado efeito manada.

Bolsa de valores e economia real

Nos últimos dois meses os negócios na Bolsa de Valores deram um salto considerável. Impulsionados por processos de melhoria na economia, investidores brasileiros e estrangeiros foram às compras, visando aproveitar os baixos preços de papéis de empresas de classe mundial.

Também as perspectivas de saneamento das finanças da Petrobras ajudaram no processo, já que a estatal tem grande peso no índice Bovespa. Atenção especial deve ser dada ao setor financeiro privado, notadamente o Itaú (itub3 e itub4), que deve ter seus lucros alavancados fortemente no próximo ano, devido a uma gestão de classe superior, diminuição de custos e dos índices de inadimplência.

Para quem deseja formar um patrimônio sólido de longo prazo, o papel está com com excelente preço no momento.

Nível de emprego e perspectiva para 2017

Com um número já elevado de doze milhões de desempregados em setembro, a quantidade de demissões superou as contratações em 39,3 mil de acordo com dados do CAGED. A divulgação de tal indicador revela continuidade na trajetória de recuo de perda de postos de trabalho com carteira assinada.

A reversão dessa tendência não garantirá que muitas categorias profissionais retomem o padrão de emprego vigente durante a era Lula e Dilma, pois é muito comum, após uma grave recessão, as empresas que despediram aperfeiçoarem o quadro de funcionários extinguindo algumas funções por meio da automação, objetivando baixar custos. Afinal , as crises sempre geram oportunidades para ganhos de eficiência produtiva.

A Reforma trabalhista pode acelerar o processo de recuperação do nível de emprego, principalmente se flexibilizar as relações capital x trabalho, diminuindo os custos de contratação e demissão.

Tempo de Espera

Encontra-se o Brasil com um dos maiores índices de desemprego de sua triste história econômica, um contingente próximo à da população da cidade de São Paulo. A reversão dessa barbárie só ocorrerá se o empresariado, de maneira geral, convencer-se que o jogo político em curso, onde Michel Temer terá de enfrentar, inclusive, oponentes dentro da base aliada, será favorável ou não às necessidades do país, já que muitos políticos ainda não vislumbraram o estado deplorável da economia e do tecido social.

Na atualidade, sem fortes investimentos privados, não há a mais remota possibilidade de crescimento econômico e social. Para que o chamado “espírito animal” empresarial seja despertado, algumas decisões duras terão que ser tomadas imediatamente: uma diminuição acentuada da taxa de juros (que choca-se com o problema da inflação resistente em altos patamares), avanço  das Parcerias Público-Privadas objetivando a reconstrução da precária infraestrutura brasileira, diminuição do déficit público visando recuperar a capacidade de investimento estatal (União, Estados e Municípios) e reforma contundente da claudicante Legislação Trabalhista, com ênfase na aprovação do Marco Legal, incrementando e aperfeiçoando o processo de terceirização das atividades.

Não seria por demais afirmar que se a população em geral não pressionar os políticos essas mudanças não ocorrerão e o nível de emprego não se recuperará tão cedo. A inação nesse aspecto delegará ao avanço da tecnologia a oportunidade de tornar a Legislação Trabalhista, letra morta, já que muitas das chamadas atividades-fim estão desaparecendo em caráter mundial. Algumas notícias ajudam a focar melhor o problema.

1. Título: “Navios de Carga Podem Dispensar Tripulação no Futuro” 

(…) Projetistas de navios, operadores e reguladores estão se preparando para um futuro em que embarcações de carga irão cruzar os oceanos com uma tripulação mínima ou mesmo sem nenhuma. Avanços na automação e uma comunicação de dados cada vez mais veloz, mesmo no meio do oceano, podem causar a maior transformação no transporte marítimo desde que os motores diesel substituíram os a vapor. (…) Uma futura embarcação não tripulada pode se assemelhar aos mais avançados drones de combate. Ela poderia ter detectores infravermelhos, câmeras de alta resolução e sensores a laser para monitorar seus arredores. (…) Pode-se chegar a navios cargueiros não tripulados até 2030 e navios totalmente autônomos até 2035.

(Fonte: Valor Econômico, 2/9/16, pág. B-9)

2. Título: “A Vida na Mina Sem Ninguém ao Volante”

(…) Na Suécia, a montadora de veículos pesados Volvo desenvolveu um novo caminhão para uma mineradora. Tal caminhão é chamado FMX. O referido veículo fica tão escondido quanto a prata e o ouro explorados pela mina de Boliden, de onde saem também cobre e zinco. Com a ajuda de sensores, o veículo circula a 800 metros de profundidade. (…) Um mundo de veículos sem motorista, seria uma maravilha. Ele não precisa sequer olhar para a trilha percorrida pelo FMX. O caminhão segue em frente, desliza suavemente em curvas sinuosas e, finalmente, dá, sozinho, a marcha a ré, para voltar ao ponto de partida. (…) No Brasil, o caminhão autônomo já começou a ser testado também em plantações de açúcar.

(Fonte: Valor Econômico, 6/9/16, pág. B-3)

3. Título: “O Bolsa Família dos Países Ricos”

(…) Um estudo feito pela Universidade de Oxford, na Inglaterra, analisou 700 postos de trabalho, com diferentes graus de complexidade e chegou à conclusão de que 47% deles poderão ser automatizados nos próximos 20 anos. Robôs comandados por algoritmos deverão ser capazes de realizar tarefas que sempre precisaram de interação humana, como dirigir automóveis e caminhões para o transporte de mercadorias. Estima-se que um terço dos postos de trabalhos no setor de varejo na Europa desaparecerá até 2025, em razão do desenvolvimento da robótica.

(Fonte: Revista Exame CEO, 09/16, págs. 58/59)

4. Título: “Bancos tentam controlar despesas com redução de agências e pessoal”

(…) Para cortar gastos, as medidas adotadas pelas instituições financeiras têm ido em duas principais linhas: a redução de agências e a diminuição do quadro de pessoal. (…) Nos 12 meses encerrados em junho, os 4 grandes bancos fecharam um total de 413 agências. Para comparação, apenas 19 agências foram fechadas  entre junho de 2014 e junho de 2015. (…) A redução das agências está ligada ao uso crescente de canais de atendimento digital por parte dos clientes. (…) Os bancos também têm enxugado o quadro de funcionários, em especial ao não repor aqueles que deixam a instituição ou se aposentam. Entre junho de 2015 e junho de 2016 os 4 maiores bancos cortaram 12.200 postos de trabalho.

(Fonte: Valor Econômico, 13/9/16, pág.C-1)

5. Título: “Uber lança primeira frota de táxis autoguiados”

(…) O Uber lançou, ontem, sua primeira frota de táxis autoguiados em Pittsburgh, Pensilvânia (EUA), e pulou à frente de empresas como Google, Tesla, Ford e GM na corrida para desenvolver tecnologias para veículos autônomos. (…) Para o Uber, os veículos autônomos são uma aposta de longo prazo no que a empresa acredita que será o futuro do transporte urbano e no que poderia, no fim das contas, reduzir o custo do transporte ao acabar com a necessidade de motoristas. Portanto, assim como já ocorreu em países desenvolvidos, logo o Brasil será alcançado por essas tendências de automação em velocidade acelerada, provocando irreversíveis danos ao já decrescente número de postos de trabalho.

(Fonte: Valor Econômico, 15/9/16, pág.B-6)