POST_30_OUT_2017

O Brasil e Eça de Queiroz

A cada dia constatam-se, cada vez mais, dúbios sinais que a Economia e a Política emitem a respeito da realidade brasileira. Indistintamente, tanto os cidadãos comuns, com baixo nível de informação e capacidade de processá-las, como os mais capacitados para tal, demonstram sérias dúvidas a respeito das reais possibilidades de acreditar que o pior já passou. A Política e a Economia são indissociáveis, e a segunda vive de expectativas, boas ou más. Independentemente do anúncio de melhora em alguns indicadores socioeconômicos, fica claro para a maioria dos agentes econômicos que, baseados em  outras crises de grande magnitude já vividas, sabem que melhoras significativas nos respectivos padrões de bem-estar podem materializar-se somente a  partir de 2019, com um novo Presidente, desde que o mesmo tenha como objetivo honesto modernizar o país, sem utilizar-se de medidas voluntaristas de curto prazo, como nos dois últimos fatídicos governos.

O Governo Federal tem conseguido algumas vitórias, com base exclusivamente em abjetas barganhas com deputados e senadores, visando a manutenção de Temer como Presidente da República. O PIB brasileiro voltou a crescer na passagem de julho/agosto, 0,2% (IBRE-FGV). O bom desempenho da agropecuária ajudou o índice, bem como de outros segmentos. A FBCF avançou em agosto, relativamente a julho. O consumo das famílias aumentou 1,8% no trimestre terminado em agosto, ante o mesmo período de 2016, porém o setor de serviços recuou 0,5%. Ocorreu deflação no IGPM, de 1,81% no ano e de 1,3% em 12 meses. Também o INCC decresceu de 0,22% na segunda prévia de setembro para 0,11% na segunda prévia de outubro. Os juros estão baixando rapidamente e a oferta e tomada de crédito crescem modestamente. Nesse aspecto, recentemente, um grande banco privado brasileiro anunciou que sua diretoria havia decidido aumentar acentuadamente o montante destinado à distribuição de dividendos e JCP a acionistas, já que não vislumbravam uma retomada acelerada do crédito no curto prazo e que  havia excesso de caixa em relação aos limites prudenciais exigidos pelas regras da Basiléia. Portanto, uma importante diretriz para entender o cenário que se avizinha.

O processo de privatização federal está avançando, mas não na velocidade necessária para que se consiga diminuir significativamente o Déficit Público e a explosivamente crescente relação Dívida/PIB. O processo de privatização de empresas estaduais de saneamento perdeu tração, em função das eleições estaduais em 2018. De 18 estados inicialmente interessados, apenas 7 iniciaram estudos de viabilidade econômica e são apontados como projetos que podem tornar-se editais, no próximo ano. A arrecadação tributária federal cresce marginalmente, também afetada pelas mudanças estruturais na Economia, que permanecerão, independentemente ou não de recessão. Também o índice de informalidade contribui acentuadamente para esse quadro.

A geopolítica mundial deverá continuar benéfica neste e no próximo ano, mas não será suficiente para ajudar um país que continua à deriva, evidenciando indubitavelmente que nossos governantes continuam desprezando a máxima talmúdica: “… quando não se sabe para onde ir, qualquer caminho serve”. No dia 13/10/17, o FMI publicou relatório intitulado “América Latina e Caribe: Em movimento, mas em baixa velocidade”, alertando sobre a incerteza em torno da Política na América Latina depois das eleições previstas para os próximos meses. Registra o texto: “… Em particular, o risco de que se adotem agendas populistas e que se retroceda nos esforços de reformas e ajuste que estão em curso, que essas economias dificilmente poderiam custear, poderia reduzir o otimismo e a incipiente recuperação econômica”. Tal documento enfoca o México, Brasil, Chile e Paraguai.
Há que haver esperança, mas sem perder de vista os sérios problemas que enfrentamos no cotidiano.

O renomado escritor português Eça de Queiroz, autor de diversas obras primas da literatura mundial, escreveu no periódico “Farpas” (1871, há 146 anos) uma severa crítica à sociedade portuguesa da época, que retrata exatamente no que se transformou o Brasil contemporâneo: “… o país perdeu a inteligência e a consciência moral. Não há princípio que não seja desmentido nem instituição que não seja escarnecida. Já não se crê na honestidade dos homens públicos. A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia. O povo está na miséria. Os serviços públicos abandonados a uma rotina dormente. O desprezo pelas ideias aumenta a cada dia. A ruína econômica cresce, cresce, cresce… A agiotagem explora o juro. A ignorância pesa sobre o povo como um nevoeiro. O número das escolas é dramático. A intriga política alastra-se por sobre a sonolência enfastiada do país. Não é uma existência, é uma expiação. Diz-se por toda parte: ‘o país está perdido’”.

Nada mais atual!

gsg

BRASIL À VENDA

Pressionada por um déficit fiscal sem precedentes, onde já gasta-se toda a Receita Líquida para quitar despesas obrigatórias, uma Dívida Pública explosivamente crescente(79,4% do PIB) e um descalabro moral que coloca-nos como o país mais corrupto do mundo, a equipe econômica tenta sanear o que sobrou das Finanças Públicas, o pós-Dilma . Toda essa devastação, que continua causando um clima de desesperança em grande parte dos brasileiros, está também criando as bases para um novo tempo, com mais alento.

Já é perceptível, ainda que tênue, a melhora em alguns indicadores socioeconômicos, como o nível de emprego na construção civil e no setor automobilístico, dois vetores importantes para a alavancagem do consumo e da arrecadação tributária.  Há um número grande de operações de compra, venda e fusões / aquisições entre empresas privadas, notadamente pelo capital chinês, onde em 2016, esteve presente em 35% dos negócios efetuados. Atualmente o capital privado chinês negocia a compra de uma seguradora brasileira e uma importante corretora de valores. A Eldorado Celulose (do grupo JBS), está sendo vendida para uma gigante de capital indonésio.

Em recente viagem ao exterior, Temer aproveitou para divulgar um amplo projeto de concessões e privatizações, que não poderiam ser absorvidos pelo capital nacional, em função da fragilidade financeira dessas empresas. Existe um dado altamente propício ao Brasil, que poderia dinamizar a retomada da Economia Brasileira: segundo dados oficiais recentemente publicados, há no mundo atualmente, algo como U$ 40 trilhões investidos em títulos públicos de diversos países, onde 25% (U$ 10 trilhões) está sendo remunerado a taxas de juros próximas de zero. Levando-se em consideração que há 159 estatais federais no Brasil, muitas delas com sérios problemas de gestão, já traria um grande alívio às Finanças  Públicas, sem contar um número incalculável de estatais mal administradas no âmbito dos municípios. Esse processo seria também um forte impulsionador do crédito, já que as taxas de juros estão declinando.

Há ativos estatais apetitosos em estagio de alienação: em junho passado, a Eletrosul e a Shangai Eletric Power assinaram acordo preliminar para a transferência de projetos de energia no Rio Grande do Sul (R$ 3,27 bilhões), em agosto passado, a CEMIG abriu o período de informação para os interessados na compra de participação da estatal mineira na LIGHT, está em curso pelo Governo de São Paulo o processo de venda de 40,6% no capital da CESP, onde abrirá mão do controle. Outros negócios estatais também são alvo de interesse pelo capital estrangeiro: Aeroporto de Congonhas e outros 13 terminais, Cia.Docas do Espírito Santo, Lotex, 49% de participação na INFRAERO(Guarulhos, Brasilia, Galeão e Confins), 14 terminais portuários, Casa da Moeda, Usina Hidroelétrica de Jaguara, diversos blocos de exploração de petróleo e gás, Cia. de Silos e Armazéns de M.Gerais, CEASA Minas , BR Distribuidora, SABESP, Banco do Brasil, Banrisul, CEF, ELETROBRAS etc.

Pelo que se percebe, pelo menos em relação aos ativos do setor elétrico, a potencial compradora poderá ser a China Shenhua Group, classificada como a maior empresa de energia elétrica do mundo, avaliada em U$ 278 bilhões e possuidora de uma reserva de caixa monumental. Numa tentativa de aumentar a relevância do Yuan como moeda de reserva global (conversível) e devido a uma crescente demanda no Brasil por operações com a respectiva divisa, o governo  chinês solicitou às autoridades brasileiras o início de estudos em parceria, objetivando criar uma Câmara de Compensação(Clearing House) para operar livremente a moeda chinesa no país, abrindo um amplo espaço para facilitar a compra de empresas brasileiras e ir diminuindo a dependência do uso do Dólar e Euro, nessas transações. Crise para uns, oportunidade para outros. Um  permanente e triste aprendizado, para uma Nação que insiste em não aprender com os próprios erros.

POST_16_AGO_2017

ECONOMIA BRASILEIRA

Após a tentativa frustrada do Governo Federal, de lançar um  “balão de ensaio” visando alterar a alíquota máxima de IRPF de 27,5% para 35%, sabe-se que outras ardilosas ideias serão urdidas pela equipe econômica, visando aumentar a combalida arrecadação tributária. O aumento da CIDE dos combustíveis foi a primeira, porém, pode-se ter uma frustração em relação à receita projetada, já que o consumo dos mesmos tende a diminuir acentuadamente, como inúmeras vezes ocorreu. E, diga-se de passagem, as estimativas governamentais raramente confirmam-se, já que são baseadas em premissas erradas. A inflação está cedendo, notadamente graças à brutal recessão em curso, o desemprego continua alto, a SELIC tem forte tendência declinante (não se sabe até quando), o Dólar e o Euro com cotações estáveis e o faturamento dos diversos setores da Economia em permanente trajetória errante.

O panorama político continua desafiador e desencorajando os investimentos produtivos. Há diversos aspectos a lamentar, porém alguns a comemorar. O primeiro é o fato da sensível melhora da governança corporativa da Petrobras, o que culminou com a diminuição do respectivo endividamento, da melhora  do desempenho de outros indicadores de perfomance, além de eliminar o grau de ingerência política na administração da mesma, fatores que devem num futuro próximo recuperarem  os preços das respectivas ações, atualmente ainda muito depreciadas.

O Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal também passam por um severo ajuste de suas respectivas estruturas, com dramático fechamento de agências e demissão de funcionários ociosos, objetivando adequarem-se aos novos padrões tecnológicos, onde os clientes não querem mais ir às agências. O segundo fato relevante é o forte surgimento de oportunidades ao capital estrangeiro, notadamente à China, para compra de empresas estatais e privadas, já que a recessão depreciou acentuadamente o valor das mesmas, excessivamente endividadas.

O aumento da influência da China na geopolítica mundial tem sido impressionante. Em 2016, aproximadamente 35% do total de negócios de fusões e aquisições no Brasil, foram feitos com capitais chineses, que aqui já aportaram algo como U$ 17 bilhões. Alguns exemplos: a venda da CPFL para a State Grid por U$ 4,8 bilhões, a da Duke Energy SP e PR para a CTG por U$ 1,2 bilhão, a da Triunfo  para  CTG por U$ 566 milhões e a outorga das Usinas Jupiá e Ilha Solteira para a CTG por U$ 4,6 bilhões. Há ainda um número relevante de negócios a ocorrer proximamente: a venda das usinas hidrelétricas de Santo Antônio e Belo Monte, da CESP, de algumas distribuidoras da Eletrobrás, da CEMIG, bem como inúmeras controladas da Petrobras, como a BR Distribuidora.

Em relação ao aumento  da relevância da China no mundo atual, Martin Jacques, renomado pesquisador inglês e autor do livro “Quando a China Mandar no Mundo”, Círculo Leitores, Portugal, 2012, Pág. 22/23, afirma: “Os países veem, invariavelmente, o mundo em termos da sua própria experiência. À medida que vão tornando-se hegemônicos- como a China se tornará -, procuram moldar o mundo à luz dos seus próprios valores e prioridades. É comum, no entanto, acreditar que a influência da China no mundo será principalmente, e esmagadoramente, econômica. No entanto, os efeitos políticos e culturais terão no mínimo o mesmo alcance. O argumento subjacente deste livro é que o impacto da China no mundo será tão grande como o dos EUA durante o último século, provavelmente muito maior e certamente muito diferente”. Fica a mensagem para todos os brasileiros: se não pensarmos seriamente no futuro do nosso país, outros o administrarão por nós.

POST_03_MAR_2017

O Renascimento do Liberalismo Econômico?

 

Causou espanto a muitos estudiosos do cenário político-econômico, a notícia de que, após uma década, volta-se ao assunto da terceirização do trabalho no Brasil. A prática, já adotada há décadas nas economias desenvolvidas, impulsionou enormemente os ganhos de produtividade, bem como o progresso social, e começou finalmente a deixar “os porões da Idade Média” do tradicional pensamento econômico obscurantista brasileiro. Ranço ideológico cultivado por alguns ‘iluminados’ das Ciências Sociais e entusiastas do fortalecimento das amarras governamentais em todos os setores.

Quando quase toda a América Latina desmorona, vítima do intervencionismo governamental, não deixa de ser um alento aos cidadãos honrados, que não tiram seus respectivos sustentos do Estado, porém contribuem para o suporte dessas estruturas ineficientes e profundamente corruptas.
A leitura atenta dos artigos de profissionais de Economia e Finanças, relatórios de consultorias e bancos, o comparecimento às assembleias de empresas de capital aberto, o contato com pesquisadores e empresários traz uma única mensagem: apesar de alguns indicadores macroeconômicos terem melhorado em relação a 2016, isso não é suficiente para convencer as pessoas a consumir e investir.

As pesquisas a respeito da melhora das perspectivas para a economia brasileira, não se coadunam com a realidade divulgada informalmente pelos agentes econômicos. E o problema é a falta de credibilidade na política. Afinal, foram tantas as mentiras, que o nível de confiança simplesmente acabou. E a pergunta que as pessoas fazem é: Por que acreditar? O que virá no período pós-Temer? Só haverá mais um ano de mandato. Não há tempo para resolver grande parte dos problemas. Qual será a orientação ideológica do próximo presidente? Será que vale a pena arriscar, conhecendo o histórico da política econômica? É melhor não tomar riscos desnecessários.


Levará muitos anos para despertar o ‘espírito animal’ do empresariado, até porque, na análise dos balanços de empresas altamente capitalizadas, nota-se que, quem pouco investiu na atividade produtiva, cortou custos trabalhistas e ficou com alta liquidez concentrada no mercado financeiro, remunerou bem o capital próprio, além de preservar o patrimônio com risco desprezível. Isso significa que empresários prudentes e capacitados, observadores das conjunturas econômicas e políticas nacionais e internacionais são sempre bem sucedidos, pois permanecem imunes ao “efeito manada”.

Como já é sabido que a economia brasileira passa por solavancos a cada 4 ou 5 anos, podemos antever que, por volta de 2020/2, conseguiremos a proeza de auto-produzir uma nova depressão econômica, independentemente do que ocorra no exterior. E a culpa, invariavelmente recairá sobre povos estrangeiros. Afinal, incompetentes sempre culpam terceiros por seus infortúnios. Nunca é demais relembrar que episódios de instabilidade econômica e política foram muito propícios a quem buscou aumentar e solidificar patrimônios, aproveitando-se da volatilidade do mercado, principalmente quem capitalizou-se, ao contrário da maioria que endividou-se.
Se nossas autoridades não entenderem que o empresariado tem que ser prestigiado, nunca seremos modelo para ninguém. Nenhum país pode ser forte se o setor privado estiver desmotivado e enfraquecido.

 

Foto: Olly/Fotolia

O que podemos esperar de 2017?

Para muitos cidadãos brasileiros o ano de 2016 será um intervalo de tempo a esquecer. Para outros, celebrado com grande euforia. A ser esquecido pois:

1. Precisamos suportar um brutal processo recessivo para decidir defenestrar a ex-presidente;
2. Assistimos ao desnudamento completo das nefastas relações entre o público e o privado;
3. Passamos pelo trauma de certificar-nos de como os maus políticos usam e abusam da função pública e por que não merecem crédito
4. Presenciamos a ruína de dois partidos políticos (PT e PMDB), que sempre apresentarem-se como paladinos da moralidade;
5. Verificamos que a juventude de nossa democracia ainda nos condenará a muitos anos de convivência conflituosa entre os 3 poderes;
6. Estamos sofrendo os maiores índices de desemprego, inadimplência e ruína de empresas já vistos na história econômica de nosso país;
7. O Brasil está sendo governado por políticos que a qualquer momento podem ser afastados do poder gerando um incessante processo de volatilidade política, econômica, social, etc.

Para os cidadãos que estão celebrando o momento atual, há sempre a esperança de ver resolvidos, pelo menos em parte, os problemas acima elencados. Afinal, é indubitável que a nação brasileira precisava passar por esse doloroso processo de saneamento moral.

O Brasil apresenta-se permanentemente como detentor de grande potencial de desenvolvimento, porém, tudo ainda está por ser feito ou aperfeiçoado, o que gera grandes oportunidades de investimento. Este articulista já ouviu de imigrantes portugueses, italianos, espanhóis, alemães, judeus, árabes e japoneses que vieram para o nosso país nos anos 40 e 50 e que aqui enriqueceram em larga escala, que nós brasileiros nunca soubemos utilizar com sabedoria o território que nos pertence. Precisamos aceitar com humildade essa desabonadora realidade.

Quanto ao ano de 2017, ainda será de grandes agruras para o povo brasileiro dado o elevado grau de avarias provocadas por muita incompetência, arrogância e desonestidade na esfera federal. Porém, 2018 e 2019 avizinham-se com melhores perspectivas dada a melhora no ânimo empresarial, mesmo diante dos fatos de que o nível de desemprego não cede, o movimento de vendas de Natal registrou recuo de 4% em relação a 2015 (que já foi fraco), a arrecadação tributária declina acentuadamente e a inflação só está cedendo dado o baixo nível de atividade econômica. Nesse aspecto, dado o histórico brasileiro, a mesma costuma retornar com ímpeto quando a atividade econômica reaquece em função de grandes desequilíbrios macroeconômicos que assolam há décadas a economia brasileira.

Um setor muito carente de investimentos e que poderá tornar-se um forte alavancador do Brasil juntamente com a melhora do ambiente de negócios (Reformas Trabalhista, Previdenciária e Política) é o de infraestrutura. Segundo informações publicadas recentemente por organizações especializadas, o Brasil demorará 20 anos para ter um conjunto de infraestruturas de padrão mundial desde que consiga destravar as concessões e atrair investidores para as mesmas, pois só investimos 2% do PIB nessa rubrica, percentual ínfimo em relação às nossas necessidades.

O momento econômico mundial é muito propício ao atendimento dessa necessidade brasileira, pois há um montante gigantesco de liquidez no sistema financeiro internacional aplicado a taxas de juros próximas de zero ou negativas. Especialistas no setor afirmam que o Brasil só conseguirá desenvolver-se favoravelmente nesse quesito se investir no mínimo 5,5% do PIB/ano durante 20 anos, abarcando os setores de energia, telecomunicações, saneamento e transportes. Um percentual impensável na atualidade dada a barafunda fiscal atual vivida pelas Finanças Públicas brasileiras se dependermos só de aportes públicos. Como exemplo, podemos tomar a realidade da China, com investimento médio anual em infraestrutura de 8,8% do PIB, seguida da Índia, com 5,2%; Japão com 4%; Canadá com 3,5%; Itália com 2,4%; Estados Unidos com 2,4% e França com 2,1%.

O Brasil no aspecto do desenvolvimento econômico e social é paradoxal. O que explica o fato de que uma população que mora em favelas sem água, luz, esgoto, asfalto, transporte, saúde e educação de qualidade, tenha acesso à telefonia 4G? O que será mais importante para o atual estágio de desenvolvimento dessas pessoas? É uma permanente inversão de prioridades, um verdadeiro apagão de inteligência estratégica que tem como causa a existência de um grande espectro de pessoas de baixa capacidade intelectual e de reflexão. Nosso país pode e muito, mas dependerá das escolhas sensatas de cada cidadão.

Brazil

Brazil (com Z) – Riqueza Inesgotável

Nos últimos 2 meses a população vem digerindo “um cardápio indigesto”, ao receber as notícias do dia-a-dia. Desemprego ascendente, fábricas parando ou reduzindo a produção, inadimplência acentuando-se, volatilidade cambial, aumento brutal de tarifas públicas e impostos, violência crescente, taxas de juros elevando-se, desentendimentos entre os integrantes da Câmara e do Senado, corrupção em larga escala etc. Enfim, desalento de maneira geral.

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Solidez financeira e longevidade

O tema que intitula este artigo tem sido objeto de intensos debates  e estudos ao redor do mundo nos últimos 20 anos, principalmente por parte do FMI (Fundo Monetário Internacional), OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), OMS (Organização Mundial da Saúde), além de governos e universidades renomadas. Notadamente após a constatação de que tem havido aumento significativo da expectativa de vida humana, ao mesmo tempo em que ocorre o enfraquecimento financeiro dos sistemas de Previdência Social.

Segundo os últimos estudos disponíveis sobre o assunto realizados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), nas próximas duas décadas, a população brasileira com idade acima de 60 anos vai passar dos atuais 23 milhões para 88 milhões de pessoas. Quando isso ocorrer, os idosos representarão aproximadamente 40% da população brasileira, um perfil demográfico próximo ao europeu atual, onde há pouquíssimas crianças. Portanto, cada vez menos pessoas contribuindo com o sistema previdenciário.

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Desgovernança estatal

Desgovernança Estatal e suas consequências

O ano de 2015 teve o condão de estarrecer, sobre todos os aspectos, até aos cidadãos mais bem informados e incrédulos. O cenário econômico-político e social, e a desgovernança estatal ao final de 2014, previa um ano preocupante, que avizinhava-se. Porém, a tempestade revelou-se infinitamente mais severa, cujos desdobramentos indubitavelmente irão estender-se até 2017 / 18, pelo menos, prejudicando principalmente os menos favorecidos. Desarranjos políticos nunca vistos na história econômica brasileira, correlacionando-se diretamente com inimaginável  grau de incompetência administrativa estatal, corrupção sistêmica, mentiras deslavadas, uso massivo da máquina pública para a manutenção de um projeto de poder natimorto, destruição dos fundamentos das finanças públicas (e infantil tentativa de escondê-la), câmbio desajustado, além de um explosivo processo inflacionário, que forçará o Banco Central, indubitavelmente, a elevar a SELIC a 17% a.a. num curto espaço de tempo, provocando o aumento da dívida pública e gerando consequentemente grandes oportunidades de ganhos com arbitragem de taxas de juros, aos atentos operadores do mercado financeiro, normalmente muito capitalizados. (mais…)

Oportunas Crises

Oportunas crises

A  atual  grande  oportunidade, também chamada de crise, em que se encontra a economia brasileira, não foi a pioneira nem será a última, para nossa sorte. A humanidade, desde tempos imemoriais, passa por períodos curtos e longos de grande euforia e depressão econômica, com suas respectivas conseqüências políticas  e  sociais. Mais importante do que as lamúrias, é a observação das transformações positivas que esses períodos de alta turbulência oferecem.

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Liberalismo econômico

Liberalismo econômico

Nunca praticados na sociedade latino-americana, os ideais liberais sempre foram execrados por absoluta ignorância a respeito de suas virtudes. Essa doutrina embasou as revoluções antiabsolutistas que aconteceram notadamente na Inglaterra e França (séculos XVII e XVIII) e também a luta pela independência norte-americana. Defendia:

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