POST_30_OUT_2017

O Brasil e Eça de Queiroz

A cada dia constatam-se, cada vez mais, dúbios sinais que a Economia e a Política emitem a respeito da realidade brasileira. Indistintamente, tanto os cidadãos comuns, com baixo nível de informação e capacidade de processá-las, como os mais capacitados para tal, demonstram sérias dúvidas a respeito das reais possibilidades de acreditar que o pior já passou. A Política e a Economia são indissociáveis, e a segunda vive de expectativas, boas ou más. Independentemente do anúncio de melhora em alguns indicadores socioeconômicos, fica claro para a maioria dos agentes econômicos que, baseados em  outras crises de grande magnitude já vividas, sabem que melhoras significativas nos respectivos padrões de bem-estar podem materializar-se somente a  partir de 2019, com um novo Presidente, desde que o mesmo tenha como objetivo honesto modernizar o país, sem utilizar-se de medidas voluntaristas de curto prazo, como nos dois últimos fatídicos governos.

O Governo Federal tem conseguido algumas vitórias, com base exclusivamente em abjetas barganhas com deputados e senadores, visando a manutenção de Temer como Presidente da República. O PIB brasileiro voltou a crescer na passagem de julho/agosto, 0,2% (IBRE-FGV). O bom desempenho da agropecuária ajudou o índice, bem como de outros segmentos. A FBCF avançou em agosto, relativamente a julho. O consumo das famílias aumentou 1,8% no trimestre terminado em agosto, ante o mesmo período de 2016, porém o setor de serviços recuou 0,5%. Ocorreu deflação no IGPM, de 1,81% no ano e de 1,3% em 12 meses. Também o INCC decresceu de 0,22% na segunda prévia de setembro para 0,11% na segunda prévia de outubro. Os juros estão baixando rapidamente e a oferta e tomada de crédito crescem modestamente. Nesse aspecto, recentemente, um grande banco privado brasileiro anunciou que sua diretoria havia decidido aumentar acentuadamente o montante destinado à distribuição de dividendos e JCP a acionistas, já que não vislumbravam uma retomada acelerada do crédito no curto prazo e que  havia excesso de caixa em relação aos limites prudenciais exigidos pelas regras da Basiléia. Portanto, uma importante diretriz para entender o cenário que se avizinha.

O processo de privatização federal está avançando, mas não na velocidade necessária para que se consiga diminuir significativamente o Déficit Público e a explosivamente crescente relação Dívida/PIB. O processo de privatização de empresas estaduais de saneamento perdeu tração, em função das eleições estaduais em 2018. De 18 estados inicialmente interessados, apenas 7 iniciaram estudos de viabilidade econômica e são apontados como projetos que podem tornar-se editais, no próximo ano. A arrecadação tributária federal cresce marginalmente, também afetada pelas mudanças estruturais na Economia, que permanecerão, independentemente ou não de recessão. Também o índice de informalidade contribui acentuadamente para esse quadro.

A geopolítica mundial deverá continuar benéfica neste e no próximo ano, mas não será suficiente para ajudar um país que continua à deriva, evidenciando indubitavelmente que nossos governantes continuam desprezando a máxima talmúdica: “… quando não se sabe para onde ir, qualquer caminho serve”. No dia 13/10/17, o FMI publicou relatório intitulado “América Latina e Caribe: Em movimento, mas em baixa velocidade”, alertando sobre a incerteza em torno da Política na América Latina depois das eleições previstas para os próximos meses. Registra o texto: “… Em particular, o risco de que se adotem agendas populistas e que se retroceda nos esforços de reformas e ajuste que estão em curso, que essas economias dificilmente poderiam custear, poderia reduzir o otimismo e a incipiente recuperação econômica”. Tal documento enfoca o México, Brasil, Chile e Paraguai.
Há que haver esperança, mas sem perder de vista os sérios problemas que enfrentamos no cotidiano.

O renomado escritor português Eça de Queiroz, autor de diversas obras primas da literatura mundial, escreveu no periódico “Farpas” (1871, há 146 anos) uma severa crítica à sociedade portuguesa da época, que retrata exatamente no que se transformou o Brasil contemporâneo: “… o país perdeu a inteligência e a consciência moral. Não há princípio que não seja desmentido nem instituição que não seja escarnecida. Já não se crê na honestidade dos homens públicos. A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia. O povo está na miséria. Os serviços públicos abandonados a uma rotina dormente. O desprezo pelas ideias aumenta a cada dia. A ruína econômica cresce, cresce, cresce… A agiotagem explora o juro. A ignorância pesa sobre o povo como um nevoeiro. O número das escolas é dramático. A intriga política alastra-se por sobre a sonolência enfastiada do país. Não é uma existência, é uma expiação. Diz-se por toda parte: ‘o país está perdido’”.

Nada mais atual!

gsg

BRASIL À VENDA

Pressionada por um déficit fiscal sem precedentes, onde já gasta-se toda a Receita Líquida para quitar despesas obrigatórias, uma Dívida Pública explosivamente crescente(79,4% do PIB) e um descalabro moral que coloca-nos como o país mais corrupto do mundo, a equipe econômica tenta sanear o que sobrou das Finanças Públicas, o pós-Dilma . Toda essa devastação, que continua causando um clima de desesperança em grande parte dos brasileiros, está também criando as bases para um novo tempo, com mais alento.

Já é perceptível, ainda que tênue, a melhora em alguns indicadores socioeconômicos, como o nível de emprego na construção civil e no setor automobilístico, dois vetores importantes para a alavancagem do consumo e da arrecadação tributária.  Há um número grande de operações de compra, venda e fusões / aquisições entre empresas privadas, notadamente pelo capital chinês, onde em 2016, esteve presente em 35% dos negócios efetuados. Atualmente o capital privado chinês negocia a compra de uma seguradora brasileira e uma importante corretora de valores. A Eldorado Celulose (do grupo JBS), está sendo vendida para uma gigante de capital indonésio.

Em recente viagem ao exterior, Temer aproveitou para divulgar um amplo projeto de concessões e privatizações, que não poderiam ser absorvidos pelo capital nacional, em função da fragilidade financeira dessas empresas. Existe um dado altamente propício ao Brasil, que poderia dinamizar a retomada da Economia Brasileira: segundo dados oficiais recentemente publicados, há no mundo atualmente, algo como U$ 40 trilhões investidos em títulos públicos de diversos países, onde 25% (U$ 10 trilhões) está sendo remunerado a taxas de juros próximas de zero. Levando-se em consideração que há 159 estatais federais no Brasil, muitas delas com sérios problemas de gestão, já traria um grande alívio às Finanças  Públicas, sem contar um número incalculável de estatais mal administradas no âmbito dos municípios. Esse processo seria também um forte impulsionador do crédito, já que as taxas de juros estão declinando.

Há ativos estatais apetitosos em estagio de alienação: em junho passado, a Eletrosul e a Shangai Eletric Power assinaram acordo preliminar para a transferência de projetos de energia no Rio Grande do Sul (R$ 3,27 bilhões), em agosto passado, a CEMIG abriu o período de informação para os interessados na compra de participação da estatal mineira na LIGHT, está em curso pelo Governo de São Paulo o processo de venda de 40,6% no capital da CESP, onde abrirá mão do controle. Outros negócios estatais também são alvo de interesse pelo capital estrangeiro: Aeroporto de Congonhas e outros 13 terminais, Cia.Docas do Espírito Santo, Lotex, 49% de participação na INFRAERO(Guarulhos, Brasilia, Galeão e Confins), 14 terminais portuários, Casa da Moeda, Usina Hidroelétrica de Jaguara, diversos blocos de exploração de petróleo e gás, Cia. de Silos e Armazéns de M.Gerais, CEASA Minas , BR Distribuidora, SABESP, Banco do Brasil, Banrisul, CEF, ELETROBRAS etc.

Pelo que se percebe, pelo menos em relação aos ativos do setor elétrico, a potencial compradora poderá ser a China Shenhua Group, classificada como a maior empresa de energia elétrica do mundo, avaliada em U$ 278 bilhões e possuidora de uma reserva de caixa monumental. Numa tentativa de aumentar a relevância do Yuan como moeda de reserva global (conversível) e devido a uma crescente demanda no Brasil por operações com a respectiva divisa, o governo  chinês solicitou às autoridades brasileiras o início de estudos em parceria, objetivando criar uma Câmara de Compensação(Clearing House) para operar livremente a moeda chinesa no país, abrindo um amplo espaço para facilitar a compra de empresas brasileiras e ir diminuindo a dependência do uso do Dólar e Euro, nessas transações. Crise para uns, oportunidade para outros. Um  permanente e triste aprendizado, para uma Nação que insiste em não aprender com os próprios erros.

POST_09_MAR_2017

QUALIFICAÇÃO PROFISSIONAL: UMA NECESSIDADE

As reviravoltas econômicas ocorridas no Brasil, principalmente após 1994(era Collor), expuseram uma faceta cruel do chamado processo de globalização da Economia. De um lado, as empresas demandando profissionais cada vez mais qualificados (mesmo nos momentos de crise) e de outro, um imenso contingente de pessoas oferendo serviços de baixa qualificação. Infelizmente, para a imensa maioria da classe trabalhadora, a tendência é de que sejam criados cada vez menos empregos que demandem baixa qualificação profissional, privilegiando-se os profissionais de alto desempenho técnico, pois, com a automação dos processos de produção de bens e serviços, tende-se a eliminar etapas que agregam pouco ou nenhum valor aos consumidores. Estima-se na atualidade que metade dos empregos ofertados no Brasil atual, sejam passíveis de substituição por máquinas nos próximos 20 anos. Outro problema é a legislação trabalhista, que por ser anacrônica, desestimula o emprego formal.

Por essa razão, não tem sido fácil para muitas empresas preencher todas as vagas disponíveis. Bons empregos sempre existirão (bem como dinheiro para bem remunerá-los), porém, faltam bons candidatos que atendam às exigências atualmente. Recentemente foi publicada uma bem elaborada pesquisa a respeito de estágios e contratações efetivas de recém-formados no Brasil. Um número estarrecedor foi apurado:  apenas 0,003% dos estagiários consegue ser efetivado no emprego. Algo como 3 efetivados a cada 100.000 recrutados.

Para as pessoas que estão à procura de boas colocações ou de condições de expansão do próprio negócio, seria de vital importância que atentassem para algumas habilidades exigidas dos candidatos:

  • Fluência num segundo ou terceiro idioma comercial (inglês, francês, espanhol, alemão ou mandarim),
  • Ter boa redação e qualificado grau de argumentação oral (evitando-se gírias e palavras de baixo calão),
  • Falar bem em público,
  • possuir amplas habilidades informáticas,
  • Dominar e utilizar as técnicas de Marketing Pessoal,
  • Ler diariamente jornais de grande circulação ( Estadão, Folha de S.Paulo, O Globo, Dci e Valor Econômico),
  • Conhecer outros países, notadamente no sentido cultural,
  • Já ter alguma experiência profissional( não necessariamente na área pretendi da),
  • Possuir elevado espírito de equipe, ousadia, senso crítico e “jogo de cintura” , além da disposição constante para trabalhar no mínimo 8 hs/dia.

Objetivando desenvolver algumas das habilidades acima elencadas, outras atividades devem ser também objeto de rotina, como; a leitura de pelo menos uma revista semanal de grande circulação, aproveitar o infindável conteúdo dos  bons sites e blogs de economia , finanças e assuntos relacionados à administração de empresas, assistir aos telejornais comentados como os da TV Cultura, assistir a filmes e peças teatrais de boa qualidade, participar de entidades filantrópicas, visando desenvolver a sociabilidade. Utilizar o tempo dito ocioso, de forma útil, de maneira a agregar conhecimentos novos aos já possuídos, como ler um bom livro, em vez de desperdiçar tempo com atividades que nada acrescentam à carreira de um profissional sério.

Porém, não existem fórmulas mágicas, já que o importante é saber onde se quer chegar.

POST_03_MAR_2017

O Renascimento do Liberalismo Econômico?

 

Causou espanto a muitos estudiosos do cenário político-econômico, a notícia de que, após uma década, volta-se ao assunto da terceirização do trabalho no Brasil. A prática, já adotada há décadas nas economias desenvolvidas, impulsionou enormemente os ganhos de produtividade, bem como o progresso social, e começou finalmente a deixar “os porões da Idade Média” do tradicional pensamento econômico obscurantista brasileiro. Ranço ideológico cultivado por alguns ‘iluminados’ das Ciências Sociais e entusiastas do fortalecimento das amarras governamentais em todos os setores.

Quando quase toda a América Latina desmorona, vítima do intervencionismo governamental, não deixa de ser um alento aos cidadãos honrados, que não tiram seus respectivos sustentos do Estado, porém contribuem para o suporte dessas estruturas ineficientes e profundamente corruptas.
A leitura atenta dos artigos de profissionais de Economia e Finanças, relatórios de consultorias e bancos, o comparecimento às assembleias de empresas de capital aberto, o contato com pesquisadores e empresários traz uma única mensagem: apesar de alguns indicadores macroeconômicos terem melhorado em relação a 2016, isso não é suficiente para convencer as pessoas a consumir e investir.

As pesquisas a respeito da melhora das perspectivas para a economia brasileira, não se coadunam com a realidade divulgada informalmente pelos agentes econômicos. E o problema é a falta de credibilidade na política. Afinal, foram tantas as mentiras, que o nível de confiança simplesmente acabou. E a pergunta que as pessoas fazem é: Por que acreditar? O que virá no período pós-Temer? Só haverá mais um ano de mandato. Não há tempo para resolver grande parte dos problemas. Qual será a orientação ideológica do próximo presidente? Será que vale a pena arriscar, conhecendo o histórico da política econômica? É melhor não tomar riscos desnecessários.


Levará muitos anos para despertar o ‘espírito animal’ do empresariado, até porque, na análise dos balanços de empresas altamente capitalizadas, nota-se que, quem pouco investiu na atividade produtiva, cortou custos trabalhistas e ficou com alta liquidez concentrada no mercado financeiro, remunerou bem o capital próprio, além de preservar o patrimônio com risco desprezível. Isso significa que empresários prudentes e capacitados, observadores das conjunturas econômicas e políticas nacionais e internacionais são sempre bem sucedidos, pois permanecem imunes ao “efeito manada”.

Como já é sabido que a economia brasileira passa por solavancos a cada 4 ou 5 anos, podemos antever que, por volta de 2020/2, conseguiremos a proeza de auto-produzir uma nova depressão econômica, independentemente do que ocorra no exterior. E a culpa, invariavelmente recairá sobre povos estrangeiros. Afinal, incompetentes sempre culpam terceiros por seus infortúnios. Nunca é demais relembrar que episódios de instabilidade econômica e política foram muito propícios a quem buscou aumentar e solidificar patrimônios, aproveitando-se da volatilidade do mercado, principalmente quem capitalizou-se, ao contrário da maioria que endividou-se.
Se nossas autoridades não entenderem que o empresariado tem que ser prestigiado, nunca seremos modelo para ninguém. Nenhum país pode ser forte se o setor privado estiver desmotivado e enfraquecido.

 

Foto: Olly/Fotolia

O que podemos esperar de 2017?

Para muitos cidadãos brasileiros o ano de 2016 será um intervalo de tempo a esquecer. Para outros, celebrado com grande euforia. A ser esquecido pois:

1. Precisamos suportar um brutal processo recessivo para decidir defenestrar a ex-presidente;
2. Assistimos ao desnudamento completo das nefastas relações entre o público e o privado;
3. Passamos pelo trauma de certificar-nos de como os maus políticos usam e abusam da função pública e por que não merecem crédito
4. Presenciamos a ruína de dois partidos políticos (PT e PMDB), que sempre apresentarem-se como paladinos da moralidade;
5. Verificamos que a juventude de nossa democracia ainda nos condenará a muitos anos de convivência conflituosa entre os 3 poderes;
6. Estamos sofrendo os maiores índices de desemprego, inadimplência e ruína de empresas já vistos na história econômica de nosso país;
7. O Brasil está sendo governado por políticos que a qualquer momento podem ser afastados do poder gerando um incessante processo de volatilidade política, econômica, social, etc.

Para os cidadãos que estão celebrando o momento atual, há sempre a esperança de ver resolvidos, pelo menos em parte, os problemas acima elencados. Afinal, é indubitável que a nação brasileira precisava passar por esse doloroso processo de saneamento moral.

O Brasil apresenta-se permanentemente como detentor de grande potencial de desenvolvimento, porém, tudo ainda está por ser feito ou aperfeiçoado, o que gera grandes oportunidades de investimento. Este articulista já ouviu de imigrantes portugueses, italianos, espanhóis, alemães, judeus, árabes e japoneses que vieram para o nosso país nos anos 40 e 50 e que aqui enriqueceram em larga escala, que nós brasileiros nunca soubemos utilizar com sabedoria o território que nos pertence. Precisamos aceitar com humildade essa desabonadora realidade.

Quanto ao ano de 2017, ainda será de grandes agruras para o povo brasileiro dado o elevado grau de avarias provocadas por muita incompetência, arrogância e desonestidade na esfera federal. Porém, 2018 e 2019 avizinham-se com melhores perspectivas dada a melhora no ânimo empresarial, mesmo diante dos fatos de que o nível de desemprego não cede, o movimento de vendas de Natal registrou recuo de 4% em relação a 2015 (que já foi fraco), a arrecadação tributária declina acentuadamente e a inflação só está cedendo dado o baixo nível de atividade econômica. Nesse aspecto, dado o histórico brasileiro, a mesma costuma retornar com ímpeto quando a atividade econômica reaquece em função de grandes desequilíbrios macroeconômicos que assolam há décadas a economia brasileira.

Um setor muito carente de investimentos e que poderá tornar-se um forte alavancador do Brasil juntamente com a melhora do ambiente de negócios (Reformas Trabalhista, Previdenciária e Política) é o de infraestrutura. Segundo informações publicadas recentemente por organizações especializadas, o Brasil demorará 20 anos para ter um conjunto de infraestruturas de padrão mundial desde que consiga destravar as concessões e atrair investidores para as mesmas, pois só investimos 2% do PIB nessa rubrica, percentual ínfimo em relação às nossas necessidades.

O momento econômico mundial é muito propício ao atendimento dessa necessidade brasileira, pois há um montante gigantesco de liquidez no sistema financeiro internacional aplicado a taxas de juros próximas de zero ou negativas. Especialistas no setor afirmam que o Brasil só conseguirá desenvolver-se favoravelmente nesse quesito se investir no mínimo 5,5% do PIB/ano durante 20 anos, abarcando os setores de energia, telecomunicações, saneamento e transportes. Um percentual impensável na atualidade dada a barafunda fiscal atual vivida pelas Finanças Públicas brasileiras se dependermos só de aportes públicos. Como exemplo, podemos tomar a realidade da China, com investimento médio anual em infraestrutura de 8,8% do PIB, seguida da Índia, com 5,2%; Japão com 4%; Canadá com 3,5%; Itália com 2,4%; Estados Unidos com 2,4% e França com 2,1%.

O Brasil no aspecto do desenvolvimento econômico e social é paradoxal. O que explica o fato de que uma população que mora em favelas sem água, luz, esgoto, asfalto, transporte, saúde e educação de qualidade, tenha acesso à telefonia 4G? O que será mais importante para o atual estágio de desenvolvimento dessas pessoas? É uma permanente inversão de prioridades, um verdadeiro apagão de inteligência estratégica que tem como causa a existência de um grande espectro de pessoas de baixa capacidade intelectual e de reflexão. Nosso país pode e muito, mas dependerá das escolhas sensatas de cada cidadão.

Doloroso rito de passagem

O esperado fim da malfadada gestão petista, encerra uma fase da História Política e Econômica do Brasil, remetendo Lula, Dilma e apaniguados ao panteão dos governantes merecidamente esquecidos. Ao invés da estapafúrdia expressão “Não vai ter golpe”, passaremos a ouvir “Dilma nunca mais”. O governo de Temer, com todas as dificuldades que está enfrentando para recuperar as Finanças Públicas, ainda terá de suportar muitos outros problemas, decorrentes não só das intermináveis e necessárias investigações da Lava Jato, mas também, do corporativismo sindical e político, que teima em sabotar as tentativas de recuperação da Economia, numa demonstração inequívoca de egoísmo e falta de espírito público. Os cidadãos que não vivem das benesses do setor público, cansarem-se de uma interminável sequência de golpes: mentiras, arrogância, desonestidade, incompetência e uma maneira infantil de vislumbrar o mundo e de compreender como o mesmo funciona. A brilhante equipe econômica nomeada por M. Temer tem credibilidade mais do que suficiente para recolocar o Brasil no rumo do progresso e de devolver a esperança à população. Porém, há que afastar os políticos dos cargos em que a capacidade técnica é imperativa, não deixando com isso que a gestão do país resvale novamente para um padrão permanente de atos de irresponsabilidade, visando à manutenção de um projeto de poder a qualquer custo.

Alguns assuntos de vital importância terão que ser inescapavelmente enfrentados, de forma imediata: uma reforma política destinada a criar legislação visando o afastamento mais rápido de maus governantes (por incompetência ou deslize moral), fim da estabilidade de emprego no setor público, mudanças drásticas na obsoleta legislação trabalhista (antes que a tecnologia transforme-a em letra morta), desvinculação das receitas da União, privatização de estatais como Banco do Brasil, Petrobrás, Caixa Econômica Federal e outras  que servem permanentemente de instrumentos de manipulação para políticos desonestos, diminuição da inflação a patamares aceitáveis e conseqüente diminuição da taxa de juros, taxa de câmbio que permita ao país ter competitividade no comércio internacional e incremento das ações diplomáticas destinadas a priorizar negócios com  parceiros de real importância como os EUA, Europa, Japão e China, ao invés dos claudicantes da América Latina, estabelecimento de um teto para os gastos públicos em relação ao PIB, bem como para o déficit previdenciário.
Uma ideia a ser considerada para um sadio processo de reaquecimento da Economia seria destravar os setores habitacional e de infraestrutura, que rapidamente alavancaria diversos segmentos: demanda de mão-de-obra, produção e manutenção de veículos pesados, serviços de engenharia, siderurgia, asfalto, cimento, lojas de material de construção, moveleiro, decorações, loteamentos etc. Citando apenas alguns setores. Um redirecionamento das políticas de crédito do BNDES, canalizando-a para as pequenas e médias empresas (grandes empregadoras de pessoal) também contribuiria com o objetivo. Boas idéias existem, mas carecemos do principal. Pressão permanente das classes esclarecidas em relação aos políticos e autoridade s em geral, obrigando-os a reorientar suas decisões, em prol dos reais interesses do país. Só reclamar é inócuo.

As próximas eleições vão propiciar aos eleitores compromissados com as boas práticas capitalistas, uma ótima oportunidade para a abandonar a retórica e agir, evitando votar em políticos alinhados com a defesa do contínuo agigantamento do Estado e suas mazelas. A leitura ou releitura das seguintes consagradas obras, pode ajudar a entender o atual dilema ideológico em que encontra-se o Brasil: “A Mentalidade Anticapitalista” e “As seis Lições”, ambas do economista austríaco Ludwig von Mises, bem como “Os fundamentos da Liberdade” de Friedrich A. Hayek.

Fernando José Martha de Pinho, Economista.

Brazil

Brazil (com Z) – Riqueza Inesgotável

Nos últimos 2 meses a população vem digerindo “um cardápio indigesto”, ao receber as notícias do dia-a-dia. Desemprego ascendente, fábricas parando ou reduzindo a produção, inadimplência acentuando-se, volatilidade cambial, aumento brutal de tarifas públicas e impostos, violência crescente, taxas de juros elevando-se, desentendimentos entre os integrantes da Câmara e do Senado, corrupção em larga escala etc. Enfim, desalento de maneira geral.

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Desgovernança estatal

Desgovernança Estatal e suas consequências

O ano de 2015 teve o condão de estarrecer, sobre todos os aspectos, até aos cidadãos mais bem informados e incrédulos. O cenário econômico-político e social, e a desgovernança estatal ao final de 2014, previa um ano preocupante, que avizinhava-se. Porém, a tempestade revelou-se infinitamente mais severa, cujos desdobramentos indubitavelmente irão estender-se até 2017 / 18, pelo menos, prejudicando principalmente os menos favorecidos. Desarranjos políticos nunca vistos na história econômica brasileira, correlacionando-se diretamente com inimaginável  grau de incompetência administrativa estatal, corrupção sistêmica, mentiras deslavadas, uso massivo da máquina pública para a manutenção de um projeto de poder natimorto, destruição dos fundamentos das finanças públicas (e infantil tentativa de escondê-la), câmbio desajustado, além de um explosivo processo inflacionário, que forçará o Banco Central, indubitavelmente, a elevar a SELIC a 17% a.a. num curto espaço de tempo, provocando o aumento da dívida pública e gerando consequentemente grandes oportunidades de ganhos com arbitragem de taxas de juros, aos atentos operadores do mercado financeiro, normalmente muito capitalizados. (mais…)

Repensando o Brasil

Repensando o Brasil

No fim do mês de agosto passado, ocorreram dois eventos no Brasil, de suma importância para melhor entender o atual momento político/econômico/social porque passam o país e o resto do mundo, bem como suas inter-relações, visando traçar variados cenários. No período de 27 a 29/8, ocorreu na aprazível Campos de Jordão, a 7º Edição do Congresso Internacional de Mercados Financeiros e de Capitais, organizada pela BM&F Bovespa.

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