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INVESTIMENTOS BRASIL-PORTUGAL

Portugal está situado no extremo sudoeste da Europa e ocupa algo como 17% da Península Ibérica, com uma população aproximada de 10 milhões de habitantes. Os brasileiros formam a segunda maior colônia de estrangeiros. O país tem uma fronteira de 1300 km com a Espanha e possui um litoral atlântico de 830 km. Na abrangência desse litoral estão os arquipélagos da Madeira e dos Açores. Os Açores situam-se  a 800 km a oeste de Lisboa e suas ilhas, de natureza vulcânica espalham-se por uma área de 650 km quadrados. O arquipélago da  Madeira está situado a 965 km a sudeste de Lisboa e é composto por  Madeira e Porto Santo.

De país atrasado até o início da década de 70, teve na Revolução dos Cravos (1974) uma alteração completa desse cenário. Com a volta da democracia, na década de 80, começou a obter protagonismo, assumindo características de acentuada modernidade, comparada ao resto da Europa. Com a adesão do país à CEE, ocorreu um surto de desenvolvimento extraordinário, com a modernização de rodovias, ferrovias, portos, aeroportos, hospitais e a introdução de modernas técnicas agrícolas. Complementando os setores exportadores tradicionais, cortiça, resinas, têxteis, sardinha em lata e vinhos, houve também grande incremento na montagem de automóveis e produção de cimento.

Quem conhece bem Portugal, acompanha a sua história e para lá viaja com frequência desde os anos 60, assombra-se com o progresso alcançado, em tão curto intervalo de tempo. O pequeno país passou por muitos percalços, nessa trajetória, mas superou-os com muita galhardia, a ponto de tornar-se grande receptor de capitais e imigrantes. O mercado imobiliário português tornou-se alvo de grandes investidores estrangeiros, não só para a construção de imóveis novos, como também para as restaurações de maravilhosos edifícios centenários (o chamado “retrofit”). E os preços são muito mais baixos do que no Brasil, com um padrão de alta tecnologia. No mês de out/17, um banco brasileiro especializado em câmbio e uma das maiores imobiliárias do mundo, promoveu em S.Paulo, um evento fechado para investidores qualificados, visando divulgar e esclarecer os benefícios de investimentos imobiliários em Portugal, comparando-os com o Brasil e resto do mundo. Nos últimos quatro anos, um número recorde de brasileiros tem solicitado a dupla cidadania, visando aportar recursos no mercado imobiliário e para lá mudarem-se, atraídos por inúmeras vantagens, a saber:

a) O setor imobiliário é muito desenvolvido em termos de qualidade, liquidez, transparência e dinamismo,

b) Há isenção de imposto sucessório nas transmissões de bens,

c) A recuperação econômica de Portugal é sustentável,

d) É o terceiro país mais seguro do mundo,

e) A carga tributária é menor do que a média europeia,

f ) O custo de vida mais baixo que o brasileiro,

g) Há estabilidade política,

h) O clima é temperado,

i)  Os fatores históricos, emocionais e o idioma em comum que unem Brasil e Portugal, são muito relevantes,

j) Há fácil e rápida mobilidade por toda a Europa (rodovias, aeroportos e trens de alta velocidade),

k) Mais de 70 voos semanais ligam Portugal às principais cidades brasileiras,

l) Há cobertura de internet banda larga em 95% do país,

m) Lisboa é ganhadora de diversos prêmios de turismo: Melhor destino Europeu e Melhor destino de Curta Duração na Europa,

n) Portugal foi eleito em 2017, como o melhor país do mundo para as pessoas aposentarem-se;

o) O ranking “Expat Insider” considerou o país, como o quinto melhor do mundo para ir, viver e trabalhar.

Numa era de xenofobia acentuada em caráter global, tornou-se Portugal um oásis para quem busca qualidade de vida e segurança para investir. A leitura da obra “Os Portugueses”, de Ana Silvia Scott, Editora Contexto, contribui sobremaneira para a compreensão de Portugal moderno.

POST_30_OUT_2017

O Brasil e Eça de Queiroz

A cada dia constatam-se, cada vez mais, dúbios sinais que a Economia e a Política emitem a respeito da realidade brasileira. Indistintamente, tanto os cidadãos comuns, com baixo nível de informação e capacidade de processá-las, como os mais capacitados para tal, demonstram sérias dúvidas a respeito das reais possibilidades de acreditar que o pior já passou. A Política e a Economia são indissociáveis, e a segunda vive de expectativas, boas ou más. Independentemente do anúncio de melhora em alguns indicadores socioeconômicos, fica claro para a maioria dos agentes econômicos que, baseados em  outras crises de grande magnitude já vividas, sabem que melhoras significativas nos respectivos padrões de bem-estar podem materializar-se somente a  partir de 2019, com um novo Presidente, desde que o mesmo tenha como objetivo honesto modernizar o país, sem utilizar-se de medidas voluntaristas de curto prazo, como nos dois últimos fatídicos governos.

O Governo Federal tem conseguido algumas vitórias, com base exclusivamente em abjetas barganhas com deputados e senadores, visando a manutenção de Temer como Presidente da República. O PIB brasileiro voltou a crescer na passagem de julho/agosto, 0,2% (IBRE-FGV). O bom desempenho da agropecuária ajudou o índice, bem como de outros segmentos. A FBCF avançou em agosto, relativamente a julho. O consumo das famílias aumentou 1,8% no trimestre terminado em agosto, ante o mesmo período de 2016, porém o setor de serviços recuou 0,5%. Ocorreu deflação no IGPM, de 1,81% no ano e de 1,3% em 12 meses. Também o INCC decresceu de 0,22% na segunda prévia de setembro para 0,11% na segunda prévia de outubro. Os juros estão baixando rapidamente e a oferta e tomada de crédito crescem modestamente. Nesse aspecto, recentemente, um grande banco privado brasileiro anunciou que sua diretoria havia decidido aumentar acentuadamente o montante destinado à distribuição de dividendos e JCP a acionistas, já que não vislumbravam uma retomada acelerada do crédito no curto prazo e que  havia excesso de caixa em relação aos limites prudenciais exigidos pelas regras da Basiléia. Portanto, uma importante diretriz para entender o cenário que se avizinha.

O processo de privatização federal está avançando, mas não na velocidade necessária para que se consiga diminuir significativamente o Déficit Público e a explosivamente crescente relação Dívida/PIB. O processo de privatização de empresas estaduais de saneamento perdeu tração, em função das eleições estaduais em 2018. De 18 estados inicialmente interessados, apenas 7 iniciaram estudos de viabilidade econômica e são apontados como projetos que podem tornar-se editais, no próximo ano. A arrecadação tributária federal cresce marginalmente, também afetada pelas mudanças estruturais na Economia, que permanecerão, independentemente ou não de recessão. Também o índice de informalidade contribui acentuadamente para esse quadro.

A geopolítica mundial deverá continuar benéfica neste e no próximo ano, mas não será suficiente para ajudar um país que continua à deriva, evidenciando indubitavelmente que nossos governantes continuam desprezando a máxima talmúdica: “… quando não se sabe para onde ir, qualquer caminho serve”. No dia 13/10/17, o FMI publicou relatório intitulado “América Latina e Caribe: Em movimento, mas em baixa velocidade”, alertando sobre a incerteza em torno da Política na América Latina depois das eleições previstas para os próximos meses. Registra o texto: “… Em particular, o risco de que se adotem agendas populistas e que se retroceda nos esforços de reformas e ajuste que estão em curso, que essas economias dificilmente poderiam custear, poderia reduzir o otimismo e a incipiente recuperação econômica”. Tal documento enfoca o México, Brasil, Chile e Paraguai.
Há que haver esperança, mas sem perder de vista os sérios problemas que enfrentamos no cotidiano.

O renomado escritor português Eça de Queiroz, autor de diversas obras primas da literatura mundial, escreveu no periódico “Farpas” (1871, há 146 anos) uma severa crítica à sociedade portuguesa da época, que retrata exatamente no que se transformou o Brasil contemporâneo: “… o país perdeu a inteligência e a consciência moral. Não há princípio que não seja desmentido nem instituição que não seja escarnecida. Já não se crê na honestidade dos homens públicos. A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia. O povo está na miséria. Os serviços públicos abandonados a uma rotina dormente. O desprezo pelas ideias aumenta a cada dia. A ruína econômica cresce, cresce, cresce… A agiotagem explora o juro. A ignorância pesa sobre o povo como um nevoeiro. O número das escolas é dramático. A intriga política alastra-se por sobre a sonolência enfastiada do país. Não é uma existência, é uma expiação. Diz-se por toda parte: ‘o país está perdido’”.

Nada mais atual!

gsg

BRASIL À VENDA

Pressionada por um déficit fiscal sem precedentes, onde já gasta-se toda a Receita Líquida para quitar despesas obrigatórias, uma Dívida Pública explosivamente crescente(79,4% do PIB) e um descalabro moral que coloca-nos como o país mais corrupto do mundo, a equipe econômica tenta sanear o que sobrou das Finanças Públicas, o pós-Dilma . Toda essa devastação, que continua causando um clima de desesperança em grande parte dos brasileiros, está também criando as bases para um novo tempo, com mais alento.

Já é perceptível, ainda que tênue, a melhora em alguns indicadores socioeconômicos, como o nível de emprego na construção civil e no setor automobilístico, dois vetores importantes para a alavancagem do consumo e da arrecadação tributária.  Há um número grande de operações de compra, venda e fusões / aquisições entre empresas privadas, notadamente pelo capital chinês, onde em 2016, esteve presente em 35% dos negócios efetuados. Atualmente o capital privado chinês negocia a compra de uma seguradora brasileira e uma importante corretora de valores. A Eldorado Celulose (do grupo JBS), está sendo vendida para uma gigante de capital indonésio.

Em recente viagem ao exterior, Temer aproveitou para divulgar um amplo projeto de concessões e privatizações, que não poderiam ser absorvidos pelo capital nacional, em função da fragilidade financeira dessas empresas. Existe um dado altamente propício ao Brasil, que poderia dinamizar a retomada da Economia Brasileira: segundo dados oficiais recentemente publicados, há no mundo atualmente, algo como U$ 40 trilhões investidos em títulos públicos de diversos países, onde 25% (U$ 10 trilhões) está sendo remunerado a taxas de juros próximas de zero. Levando-se em consideração que há 159 estatais federais no Brasil, muitas delas com sérios problemas de gestão, já traria um grande alívio às Finanças  Públicas, sem contar um número incalculável de estatais mal administradas no âmbito dos municípios. Esse processo seria também um forte impulsionador do crédito, já que as taxas de juros estão declinando.

Há ativos estatais apetitosos em estagio de alienação: em junho passado, a Eletrosul e a Shangai Eletric Power assinaram acordo preliminar para a transferência de projetos de energia no Rio Grande do Sul (R$ 3,27 bilhões), em agosto passado, a CEMIG abriu o período de informação para os interessados na compra de participação da estatal mineira na LIGHT, está em curso pelo Governo de São Paulo o processo de venda de 40,6% no capital da CESP, onde abrirá mão do controle. Outros negócios estatais também são alvo de interesse pelo capital estrangeiro: Aeroporto de Congonhas e outros 13 terminais, Cia.Docas do Espírito Santo, Lotex, 49% de participação na INFRAERO(Guarulhos, Brasilia, Galeão e Confins), 14 terminais portuários, Casa da Moeda, Usina Hidroelétrica de Jaguara, diversos blocos de exploração de petróleo e gás, Cia. de Silos e Armazéns de M.Gerais, CEASA Minas , BR Distribuidora, SABESP, Banco do Brasil, Banrisul, CEF, ELETROBRAS etc.

Pelo que se percebe, pelo menos em relação aos ativos do setor elétrico, a potencial compradora poderá ser a China Shenhua Group, classificada como a maior empresa de energia elétrica do mundo, avaliada em U$ 278 bilhões e possuidora de uma reserva de caixa monumental. Numa tentativa de aumentar a relevância do Yuan como moeda de reserva global (conversível) e devido a uma crescente demanda no Brasil por operações com a respectiva divisa, o governo  chinês solicitou às autoridades brasileiras o início de estudos em parceria, objetivando criar uma Câmara de Compensação(Clearing House) para operar livremente a moeda chinesa no país, abrindo um amplo espaço para facilitar a compra de empresas brasileiras e ir diminuindo a dependência do uso do Dólar e Euro, nessas transações. Crise para uns, oportunidade para outros. Um  permanente e triste aprendizado, para uma Nação que insiste em não aprender com os próprios erros.

POST_16_AGO_2017

ECONOMIA BRASILEIRA

Após a tentativa frustrada do Governo Federal, de lançar um  “balão de ensaio” visando alterar a alíquota máxima de IRPF de 27,5% para 35%, sabe-se que outras ardilosas ideias serão urdidas pela equipe econômica, visando aumentar a combalida arrecadação tributária. O aumento da CIDE dos combustíveis foi a primeira, porém, pode-se ter uma frustração em relação à receita projetada, já que o consumo dos mesmos tende a diminuir acentuadamente, como inúmeras vezes ocorreu. E, diga-se de passagem, as estimativas governamentais raramente confirmam-se, já que são baseadas em premissas erradas. A inflação está cedendo, notadamente graças à brutal recessão em curso, o desemprego continua alto, a SELIC tem forte tendência declinante (não se sabe até quando), o Dólar e o Euro com cotações estáveis e o faturamento dos diversos setores da Economia em permanente trajetória errante.

O panorama político continua desafiador e desencorajando os investimentos produtivos. Há diversos aspectos a lamentar, porém alguns a comemorar. O primeiro é o fato da sensível melhora da governança corporativa da Petrobras, o que culminou com a diminuição do respectivo endividamento, da melhora  do desempenho de outros indicadores de perfomance, além de eliminar o grau de ingerência política na administração da mesma, fatores que devem num futuro próximo recuperarem  os preços das respectivas ações, atualmente ainda muito depreciadas.

O Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal também passam por um severo ajuste de suas respectivas estruturas, com dramático fechamento de agências e demissão de funcionários ociosos, objetivando adequarem-se aos novos padrões tecnológicos, onde os clientes não querem mais ir às agências. O segundo fato relevante é o forte surgimento de oportunidades ao capital estrangeiro, notadamente à China, para compra de empresas estatais e privadas, já que a recessão depreciou acentuadamente o valor das mesmas, excessivamente endividadas.

O aumento da influência da China na geopolítica mundial tem sido impressionante. Em 2016, aproximadamente 35% do total de negócios de fusões e aquisições no Brasil, foram feitos com capitais chineses, que aqui já aportaram algo como U$ 17 bilhões. Alguns exemplos: a venda da CPFL para a State Grid por U$ 4,8 bilhões, a da Duke Energy SP e PR para a CTG por U$ 1,2 bilhão, a da Triunfo  para  CTG por U$ 566 milhões e a outorga das Usinas Jupiá e Ilha Solteira para a CTG por U$ 4,6 bilhões. Há ainda um número relevante de negócios a ocorrer proximamente: a venda das usinas hidrelétricas de Santo Antônio e Belo Monte, da CESP, de algumas distribuidoras da Eletrobrás, da CEMIG, bem como inúmeras controladas da Petrobras, como a BR Distribuidora.

Em relação ao aumento  da relevância da China no mundo atual, Martin Jacques, renomado pesquisador inglês e autor do livro “Quando a China Mandar no Mundo”, Círculo Leitores, Portugal, 2012, Pág. 22/23, afirma: “Os países veem, invariavelmente, o mundo em termos da sua própria experiência. À medida que vão tornando-se hegemônicos- como a China se tornará -, procuram moldar o mundo à luz dos seus próprios valores e prioridades. É comum, no entanto, acreditar que a influência da China no mundo será principalmente, e esmagadoramente, econômica. No entanto, os efeitos políticos e culturais terão no mínimo o mesmo alcance. O argumento subjacente deste livro é que o impacto da China no mundo será tão grande como o dos EUA durante o último século, provavelmente muito maior e certamente muito diferente”. Fica a mensagem para todos os brasileiros: se não pensarmos seriamente no futuro do nosso país, outros o administrarão por nós.

POST_20_JUN_2017

TECNOLOGIA X EMPREGOS

Diante da mais forte turbulência econômica e política já ocorrida no Brasil tenta-se aprovar uma das mais importantes reformas, a trabalhista. O uso da carcomida Legislação Trabalhista, datada dos anos 40, arrasta-se até a atualidade, como um fantasma que assombra a nação brasileira, produzindo o que há de pior em termos de custos financeiros e intermináveis litígios entre patrões e empregados, numa luta onde não há ganhadores, só perdedores. E o maior é o nosso país.

Os tempos mudaram, mas existe um ranço ideológico que ainda sustenta a falácia de que o Estado deve interferir em tudo, mesmo sendo incompetente e corrupto. Nesse aspecto, não seria por demais lembrar que, o recém-lançado Relatório Global de Competitividade Mundial situa o Brasil na posição 62 no Ranking de Corrupção, o penúltimo lugar, só perdendo para a Venezuela. Portanto, somos classificados como o segundo país mais corrupto  do mundo.

O objetivo desse dogma é manter ultrapassadas estruturas de poder, que só sobrevivem à custa de convencer a parcela ignara da população, que ser dependente das “benesses” do Estado, é algo salutar. Infelizmente, no Brasil, essas crenças só são abandonadas quando a verdade avassaladora impõem-se, por meio de crises terríveis, que poderiam ter sido evitadas, se houvesse o uso da inteligência e da honestidade de propósitos. Parece incrível, em pleno século 21, estarmos ainda discutindo se precisamos ou não mudar as regras do sistema trabalhista, enquanto somos diariamente atingidos pelo surgimento de tecnologias disruptivas (aquelas que produzem rupturas nos processos tecnológicos), que estão destruindo empregos em velocidade espantosa. Finge-se que o mundo é estático, como a fábula da avestruz.

Em Novembro de 2016, foi publicado um estudo pela Universidade das Nações Unidas e Instituto Smithsonian, denominado Projeto Millennium, que teve o propósito de fazer a conexão de instituições e indivíduos para analisar perspectivas e definir estratégias capazes de fazer frente aos desafios globais de longo prazo, influenciando transformações sociais, políticas, econômicas ou científicas. Pesquisadores, professores e pensadores, de 60 países, projetaram para até 2050, o que deverá ocorrer no mundo do emprego e da tecnologia, onde não haverá trabalho para todos. Projetaram três cenários:

Cenário 1): Tudo fica como está. A tendência é de mais desemprego onde não houver planejamento e estratégias públicas de longo prazo, sobretudo em relação à adoção de novas tecnologias. Existe a premissa de que o incremento da biologia sintética estimule o crescimento econômico, mas também seja fonte de desastres biológicos e insumo para o terrorismo. As Economias colaborativas e compartilhada serão fontes de riqueza. As novas tecnologias ajudam a aumentar a produtividade humana, sem contudo, substituir a totalidade dos empregos. Projetam para 2050 que 66% da população estará empregada ou empreendendo, e o restante se dividirá entre o desemprego e a informalidade.

Cenário 2):Ocorrência de turbulência política e econômica. Os líderes políticos estiveram tão envolvidos em conflitos de curto prazo que não puderam prever a rapidez do avanço da convergência tecnológica, que permite fabricar e imprimir o que se consome (tecnologias 3D e 4D) tornando os negócios e os sistemas tributários obsoletos. A concentração de riqueza continua, o retorno sobre o investimento em capital e tecnologia permanece maior do que o do trabalho. O enfraquecimento das economias não suporta o envelhecimento das sociedades e o desemprego em massa da juventude, conduzindo o mundo a uma realidade de caos e convulsão social. O impacto dos robôs que trabalham 365 dias por ano sem salário, nem benefício ou aposentadoria é mais alto do que o previsto; o resultado é que em 2050 quase 4 bilhões de pessoas estarão desempregadas ou na economia informal, com pouca esperança de um futuro melhor.

Cenário 3): O auto-emprego. Embora sem certeza se as novas tecnologias substituiriam mais empregos do que criariam, muitos líderes antecipam-se a estudar estratégias financeiras visando garantir renda básica universal com o intuito de eliminar a carência material extrema, reduzir a desigualdade e ajudar na transição para novos padrões de economia. Sem precisar trabalhar para ganhar a vida, as pessoas estão livres para explorar seus interesses, dedicando-se a causas para construir um futuro melhor. Com o aumento do desemprego por causa da automação muitos voltam para áreas rurais, ainda que conectados à rede mundial. A descentralização manifesta-se de várias maneiras. Na Economia da autorrealização, grande parte do crescimento criativo está na “não propriedade’’, com pouca ou nenhuma restrição ao uso compartilhado e livre. O poder individual relativiza o do governo e das corporações. Cada vez mais pessoas convertem-se em investidores. Da força de trabalho, metade trabalha por conta própria, o restante divide-se em proporções iguais, entre a informalidade, o emprego formal e a transição para o empreendedorismo”.

Em adição, o site americano “Will Robots Take My Job” (Robôs vão tirar o meu emprego?) publicou artigo em 2013, de autoria de Carl Frey e Michael Osborne, que analisaram mais de 700 profissões e calcularam a possibilidade de que elas sejam automatizadas nos próximos anos, com o avanço da tecnologia. Utilizando apenas alguns exemplos, concluíram que os taxistas e motoristas particulares têm 89% de chance de serem substituídos, os caixas de supermercado, 97%, operadores de telemarketing, relojoeiros e costureiras manuais, 99%. Na outra extremidade, a profissão de terapeuta recreativo, que executa atividades com pacientes de hospitais e casas de repouso, tem apenas 0,28% de probabilidade de ser automatizada.

Portanto, é de vital importância que se atente para esse fenômeno implacável da substituição de pessoas por máquinas, já que o mesmo atingirá cada vez mais fortemente os países subdesenvolvidos como o Brasil, usualmente pouco vigilantes às transformações do mundo moderno.

POST_14_JUN_2017

Soluções para se investir em meio à crise

RENDA FIXA

Os últimos desdobramentos políticos no Brasil têm deixado os investidores nacionais e alguns estrangeiros bastante assustados. Depois de quedas bruscas nas cotações dos ativos, de maneira geral, uma boa parte dos investidores está reticente com as perspectivas da Economia, que é fortemente impactada pelas expectativas políticas. Para expressiva parcela dos investidores nacionais, que aqui reside, ainda há boas opções de investimento, com baixo nível de risco.

Além da já consagrada Caderneta de Poupança, que pode ser usada como uma conta corrente remunerada, com liquidez mensal, há fundos de renda fixa pré e pós-fixados, cuja combinação pode ser um excelente antídoto contra a excessiva volatilidade do mercado financeiro. Também há CDBS pré e pós-fixados de bons bancos, com baixo risco de crédito e boa rentabilidade, além de Cris e Cras, isentos de IR. Uma boa corretora de valores pode auxiliar no processo de escolha, visando evitar tomar riscos desnecessários, principalmente quando se trata de pessoas não familiarizadas com o dia-a-dia do mercado.

RENDA VARIÁVEL – Setor Bancário

As análises dos últimos balanços do setor bancário mostraram uma recuperação satisfatória das margens de lucro, diminuição da inadimplência e rentabilidade do Patrimônio Líquido. A elevada resiliência a crises deu-se fundamentalmente pelos terríveis problemas enfrentados pela Economia Brasileira nos últimos 30 anos, que exigiu dessas instituições operar com rígidas normas de funcionamento, visando evitar rupturas no sistema econômico, no caso de quebra de alguma instituição. O sistema está sólido também graças a severos controles impostos pelo BC, que regulam minuto-a-minuto o funcionamento do mercado financeiro, de maneira que, qualquer anomalia possa ser detectada imediatamente.

Dos três bancos que mais se destacam, indubitavelmente, o Itaú desponta como referência de eficiência no Brasil, dentre os que têm suas ações negociadas em bolsa. No último trimestre apresentou lucro aproximadamente igual ao somatório de Bradesco e Banco do Brasil, com rentabilidade patrimonial crescente, nos últimos anos. Líder incontestável em tecnologia bancária, recentemente comprou parcela significativa da corretora XP, visando dar um salto qualitativo à frente da concorrência, relativamente ao assunto desbancarização.  Nos últimos anos, apesar das diversas incorporações que realizou, conseguiu diminuir acentuadamente o número de colaboradores e de agências, otimizando os níveis de eficiência operacional, já que a realidade da crescente utilização da tecnologia pelos clientes impõe-se a cada dia. Sua administração tem concentrado grandes esforços nos últimos anos para tornar o banco cada vez mais internacional, visando diminuir a exposição excessiva às permanentes intempéries da Economia Brasileira. Controlado pela holding ITAU.SA, tem-se revelado como um excelente investimento de longo prazo, pois também paga dividendos mensais, além de polpudos dividendos anuais.

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Reforma Previdenciária

As tratativas políticas relativas às propostas de mudanças nas regras previdenciárias, mais confundem do que esclarecem a população, de modo geral, pois há um número inimaginável de congressistas e senadores, tratando do assunto, que sabem pouco ou nada do mesmo, dada a pouca familiaridade em interpretar números. Há relatos de políticos muito capacitados em finanças, que afirmam ter presenciado casos de colegas assinando documentos que tratam de assuntos relevantes para o país, sem lerem a íntegra dos mesmos.

A baixa qualidade dos debates tem sido um fator de repulsa à ideia, independentemente da necessidade ou não da Reforma. Amadorismo puro e irresponsabilidade. Grupos fortíssimos como sindicatos e associações de funcionários públicos têm feito pressão para que as regras da Previdência fiquem como estão, continuando a gerar fortes desequilíbrios nas Contas Públicas e perpetuando injustiças, obrigando o restante da população a continuar financiando indecorosas aposentadorias, em detrimento do conjunto.

O cidadão comum pergunta: Será que essa Reforma é realmente necessária? Quais os benefícios reais dessas mudanças para as gerações atuais e futuras? A mesma será suficiente para tornar o sistema autofinanciável? Qual a periodicidade das futuras Reformas?

Os últimos estudos sérios elaborados a respeito do assunto contemplam pesquisas com jovens na faixa de 18 a 30 anos e revelam dados interessantes. Um número expressivo de entrevistados manifesta o desejo de trabalhar por conta própria e contribuir o mínimo possível com a Previdência Estatal, outros, vão evitar o pagamento da referida e optarão por Previdência Complementar. Simplesmente não querem confiar os respectivos futuros ao governo, pois não há mais confiança nos políticos. Há também jovens que, por estarem tendo um padrão educacional de alto nível, em escolas diferenciadas, não querem compromissos em ficar no Brasil e por isso também não têm interesse em vincular-se ao INSS. Afinal, motivos não faltam para viver em países com futuro já delineado.

Há muitas indagações e poucas respostas plausíveis. O momento demanda serenidade na análise do problema, até porque, altas autoridades estão seriamente comprometidas moralmente em falcatruas e, a qualquer momento podem ser retiradas dos respectivos cargos, tornando ainda mais instável, a base de apoio político a Temer, duramente conquistada pelo velho sistema do clientelismo político, troca de verbas e cargos por aprovação das Reformas. Prática abjeta que levou o país à situação atual. Portanto, não há ainda motivos concretos para acreditar que, uma possível reforma da Previdência possa tornar-se uma alavanca para o pleno desenvolvimento do Brasil, pois, a mesma pode não ocorrer. Em adição aos elementos complicadores, há a forte possibilidade de cassação da chapa Dilma-Temer, o que pode acarretar a antecipação das eleições marcadas para 2018. Dúvidas não faltam. Portanto, máxima atenção ao noticiário visando evitar problemas e aproveitar boas oportunidades de negócios que esses episódios proporcionam.

POST_28_MAR_2017

Cenário de Crise? Os caminhos para se investir

TAXAS DE JUROS

A recente diminuição das taxas de juros pagas aos investidores (SELIC), não têm produzido significativo impacto no custo dos empréstimos. A autoridade monetária (BC) trabalha com a hipótese de Selic a 9% a.a e inflação ao redor de 4,5% a.a, para o fim de 2017, desde que haja o aumento da produtividade e efetiva implantação de reformas macro e microeconômicas.

Dado que há muitas incertezas nas economias brasileira e mundial, esse cenário pode não se concretizar. Se isso ocorrer, o sistema bancário não diminuirá as taxas de juros ao consumidor e às empresas, pois, vai proteger-se contra os calotes decorrentes de novas turbulências na economia. Recentes informações publicadas em jornais especializados informam que os bancos Itaú, Bradesco, Brasil e Santander, têm conjuntamente um estoque de créditos em atraso da ordem de R$ 26,4 bilhões. Portanto, fica a sugestão; evite empréstimos de qualquer natureza.

TERCEIRIZAÇÃO

Causou frustração a muitos empresários e especialistas no assunto, a timidez das recentes medidas aprovadas. Fonte permanente de ineficiências nas relações capital-trabalho, não deverá diminuir as incertezas jurídicas das empresas que decidirem contratar por essa modalidade. Ao invés de proteger os funcionários, é causa permanente de atritos entre empregadores e colaboradores. Perde-se mais uma oportunidade de deixar para trás essa incrível vocação que o Brasil tem, com as forças do atraso. Cegueira ideológica que se arrasta desde os anos 50.

Mais um estímulo, para quem está capitalizado em ativos puramente financeiros, a não aventurar-se no mundo empresarial. Grandes fortunas no Brasil e no mundo são administradas a partir de um simples escritório, um simples computador e um único operador do mercado financeiro. Lucros estratosféricos com apenas algumas horas de trabalho por dia e sem maiores problemas. Ouro, dólar, euro, títulos públicos, commodities agrícolas e minerais, ações e opções de ações. Um cardápio apetitoso.

RENDA FIXA

A diminuição da inflação e da SELIC, abriu boas opções de investimento pré-fixados. Há rentáveis oportunidades em títulos públicos (Tesouro Direto), que podem ser adquiridos via Home Broker ou através de boas corretoras de valores.

INDICE DE (IN)FELICIDADE

O  combalido ativismo econômico estatal , prejudicou e continua afetando muitos países ao redor do mundo, inclusa a América Latina, condenando gerações inteiras à miséria e desesperança. O continente onde moramos está há décadas imobilizado, sempre pelos mesmos problemas: políticas econômicas que só geram crescimento de curto prazo ( desastrada heterodoxia ), crises políticas, máquinas públicas oneradas pelo excesso de funcionários apadrinhados e despreparados, promessas nunca cumpridas, oferta de serviços de padrão indigente, corrupção, desrespeito aos eleitores, violência exacerbada, carga tributária excessiva, crescente informalidade no mercado de trabalho, fuga de capitais, sistema educacional fragilizado, desajustes cambiais, déficits públicos crônicos, desabastecimento e inflação descontrolada. Já dizia Milton Friedman, economista norte-americano, Premio Nobel em 1976, que “a inflação é uma doença capaz de destruir uma sociedade”.

Adicione-se a esse  diagnóstico, um aumento brutal do desemprego, como ocorre no Brasil atual, e o termo não teórico que os economistas atribuem ao efeito debilitante sobre as pessoas, que redunda em infelicidade. Tal indicador piorou rapidamente em nosso país, no período 2015/16 .Segundo a Rede de Soluções em Desenvolvimento Sustentável, órgão da  ONU, que  instituiu o Dia Internacional da Felicidade desde 2012 e publica um relatório oficial apresentando a lista de países mais felizes e mais infelizes do planeta, dentre 155 países, o Brasil ficou em 2016 , na posição 22. Entre 2013/15, o país ocupou a posição 17. Entre os dados observados estão: desempenho da Economia (PIB per capita), apoio social, expectativa de vida, liberdade de escolha, generosidade e percepção de corrupção. O ranking é liderado por: Noruega, Dinamarca, Islândia, Suíça e Finlândia. Na outra ponta, os menos felizes são Ruanda, Síria, Tanzânia, Burundi e República Centro-Africana.

No caso latino-americano, a baixa produtividade das economias também contribui muito para esse descalabro, pois se trabalha pouco e com baixo padrão de qualidade. Nesse aspecto, aproveitando o hercúleo esforço que está sendo feito para reformar o sistema trabalhista, previdenciário e tributário, o empresariado e  os setores esclarecidos da sociedade deveriam começar a pressionar os políticos legisladores, objetivando eliminar o excesso de feriados prolongados(Carnaval, Copa do Mundo etc.), que prejudicam tanto a economia, quanto a corrupção, pela perda de produtividade. Será que não há demanda de serviços públicos nessas ocasiões? Não custa lembrar que há um grande e crescente número de pessoas que não tem a mínima afinidade com esses eventos acima elencados. Qual o  objetivo de obrigar essas  pessoas a suportar essa “ditadura”  dos  feriados prolongados?

Infelizmente, a falta de maturidade de grandes segmentos da sociedade brasileira é assustadora, absolutamente incompatível com o desejo de alcançar o pleno desenvolvimento econômico e social. Uma sociedade de zumbis. Outra mazela causada pelo subdesenvolvimento do Cone Sul é a baixa apetência ao empreendedorismo, insuflada pela abertura indiscriminada de vagas no setor público, que acabou tornando-se “objeto do desejo” de muitas pessoas, atraídas por  insustentáveis atrativos salariais, no longo prazo. Todo esse processo de intervencionismo acaba tornando-se um moto–contínuo, pois , as pessoas começam a demandar do Estado, cada vez mais, um nível de tutela crescente, abdicando da saudável prerrogativa de decidir os próprios destinos. E, depois, reclamam que o Estado é ingovernável e paquidérmico.

A sociedade é aquilo que dela fazemos e cabe a cada cidadão, decidir agora, de forma consciente, o que deve ser feito, visando evitar que saiamos do terceiro para o quarto mundo, como parece ser o desejo de muitos.

POST_09_MAR_2017

QUALIFICAÇÃO PROFISSIONAL: UMA NECESSIDADE

As reviravoltas econômicas ocorridas no Brasil, principalmente após 1994(era Collor), expuseram uma faceta cruel do chamado processo de globalização da Economia. De um lado, as empresas demandando profissionais cada vez mais qualificados (mesmo nos momentos de crise) e de outro, um imenso contingente de pessoas oferendo serviços de baixa qualificação. Infelizmente, para a imensa maioria da classe trabalhadora, a tendência é de que sejam criados cada vez menos empregos que demandem baixa qualificação profissional, privilegiando-se os profissionais de alto desempenho técnico, pois, com a automação dos processos de produção de bens e serviços, tende-se a eliminar etapas que agregam pouco ou nenhum valor aos consumidores. Estima-se na atualidade que metade dos empregos ofertados no Brasil atual, sejam passíveis de substituição por máquinas nos próximos 20 anos. Outro problema é a legislação trabalhista, que por ser anacrônica, desestimula o emprego formal.

Por essa razão, não tem sido fácil para muitas empresas preencher todas as vagas disponíveis. Bons empregos sempre existirão (bem como dinheiro para bem remunerá-los), porém, faltam bons candidatos que atendam às exigências atualmente. Recentemente foi publicada uma bem elaborada pesquisa a respeito de estágios e contratações efetivas de recém-formados no Brasil. Um número estarrecedor foi apurado:  apenas 0,003% dos estagiários consegue ser efetivado no emprego. Algo como 3 efetivados a cada 100.000 recrutados.

Para as pessoas que estão à procura de boas colocações ou de condições de expansão do próprio negócio, seria de vital importância que atentassem para algumas habilidades exigidas dos candidatos:

  • Fluência num segundo ou terceiro idioma comercial (inglês, francês, espanhol, alemão ou mandarim),
  • Ter boa redação e qualificado grau de argumentação oral (evitando-se gírias e palavras de baixo calão),
  • Falar bem em público,
  • possuir amplas habilidades informáticas,
  • Dominar e utilizar as técnicas de Marketing Pessoal,
  • Ler diariamente jornais de grande circulação ( Estadão, Folha de S.Paulo, O Globo, Dci e Valor Econômico),
  • Conhecer outros países, notadamente no sentido cultural,
  • Já ter alguma experiência profissional( não necessariamente na área pretendi da),
  • Possuir elevado espírito de equipe, ousadia, senso crítico e “jogo de cintura” , além da disposição constante para trabalhar no mínimo 8 hs/dia.

Objetivando desenvolver algumas das habilidades acima elencadas, outras atividades devem ser também objeto de rotina, como; a leitura de pelo menos uma revista semanal de grande circulação, aproveitar o infindável conteúdo dos  bons sites e blogs de economia , finanças e assuntos relacionados à administração de empresas, assistir aos telejornais comentados como os da TV Cultura, assistir a filmes e peças teatrais de boa qualidade, participar de entidades filantrópicas, visando desenvolver a sociabilidade. Utilizar o tempo dito ocioso, de forma útil, de maneira a agregar conhecimentos novos aos já possuídos, como ler um bom livro, em vez de desperdiçar tempo com atividades que nada acrescentam à carreira de um profissional sério.

Porém, não existem fórmulas mágicas, já que o importante é saber onde se quer chegar.