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Solidez financeira e longevidade

O tema que intitula este artigo tem sido objeto de intensos debates  e estudos ao redor do mundo nos últimos 20 anos, principalmente por parte do FMI (Fundo Monetário Internacional), OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), OMS (Organização Mundial da Saúde), além de governos e universidades renomadas. Notadamente após a constatação de que tem havido aumento significativo da expectativa de vida humana, ao mesmo tempo em que ocorre o enfraquecimento financeiro dos sistemas de Previdência Social.

Segundo os últimos estudos disponíveis sobre o assunto realizados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), nas próximas duas décadas, a população brasileira com idade acima de 60 anos vai passar dos atuais 23 milhões para 88 milhões de pessoas. Quando isso ocorrer, os idosos representarão aproximadamente 40% da população brasileira, um perfil demográfico próximo ao europeu atual, onde há pouquíssimas crianças. Portanto, cada vez menos pessoas contribuindo com o sistema previdenciário.

No caso brasileiro, é notória a falta de apetite da população com o objetivo de poupar para um futuro distante (30/40 anos). Infelizmente, como afirmou o economista Luiz Carlos Mendonça de Barros (ex- presidente do Banco Central) em um artigo recentemente publicado em jornal de grande circulação nacional: ”Somos uma sociedade de cigarras e não de formigas.” Trabalhando-se pouco e mal, além de descansar-se em demasiado, pouco sobra para reserva financeira. Essa baixa propensão a poupar também decorreu da inexistência de produtos financeiros adequados para tal finalidade até meados dos anos 90, além do enfrentamento de congelamentos de preços, cinco trocas de moedas, hiperinflação e confisco de liquidez (Plano Collor).

Por isso, no Brasil, a compra de imóveis sempre foi priorizada para efeito de acumulação de riqueza. De acordo com artigo intitulado ”Aposentadoria: Eu não sou você amanhã”, de autoria de Aquiles Môsca, publicado no jornal Valor Econômico (01/10/14, pág. D-2), no Brasil, entre 95% e 97% dos aposentados não possuem independência financeira. Isto é, não são capazes de fazer frente a todos os seus gastos fixos e variáveis com recursos próprios. Dessa forma, muitos seguem trabalhando, outros tornam-se dependentes financeiros de filhos e familiares (representando um peso financeiro para esses) e ainda há os que precisam ajustar fortemente para baixo seu padrão de vida e consumo.

Na maioria dos casos, o que ocorre é uma combinação dos três fatores. Continuam trabalhando, precisam do suporte financeiro de terceiros e ajustam o nível de  vida. Há ainda casos estapafúrdios em que idosos, aposentados com baixas rendas, sustentam pessoas em plena vitalidade, que não trabalham por decisão própria.

Na atualidade, felizmente, os brasileiros podem começar a criar uma reserva financeira para o futuro, pois o sistema financeiro nacional está apto a ofertar produtos seguros, além de estar muito sólido. Há produtos financeiros adequados a todos os patamares de renda. Caderneta de poupança (que pode também funcionar como conta remunerada para gastos de curto prazo), VGBL, PGBL, CDBs, fundos diversos, fundos estruturados especialmente para clientes de alta e altíssima renda e ações (que podem ser negociadas nas corretoras de valores). O importante é começar o quanto antes, visando aproveitar as benesses da capitalização de juros compostos.

Não custa lembrar que é preciso receber juros e evitar ter que pagá-los, e que as escolhas presentes vão produzir impactos no futuro. Assim, vale gastar tempo num planejamento cuidadoso, visando evitar decepções daqui a meses ou anos. Para ilustrar o assunto, este articulista teve um professor no curso de Mestrado em Finanças, na Universidade Mackenzie que dizia: ”O pagamento de juros é o castigo que as pessoas impõem-se pela teimosia em consumir aquilo que, no presente, não deveriam fazê-lo. Portanto, ninguém deveria reclamar na hora de pagá-los.”

Atenção especial deve ser dada ao assunto, principalmente, por pessoas na faixa dos 40 anos. Planejadores financeiros recomendam que a partir dessa idade o enfoque de dispêndios seja mudado do consumo para a formação de poupança, já que há menos tempo de vida útil para acumular patrimônio financeiro, visando viver o período “pós-aposentadoria” de maneira digna. Criar as chamadas rendas passivas (que independem do trabalho).

A terrível tríade, que desafortunadamente acompanha a maior parte da população brasileira, deve ser evitada a todo custo: estar velho, doente e sem dinheiro. A leitura dos livros “Pai Rico, Pai Pobre”, de Robert Kyosaki, Editora Saraiva ( leitura agradável para iniciantes ao assunto) e também “O Valor do Amanhã”, do economista Eduardo Giannetti, Editora Companhia das Letras, pode ajudar a melhorar a compreensão  do assunto. Afinal, nunca é tarde para refletir!

Fernando José Martha de Pinho, Economista.

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