Oportunas Crises

Oportunas crises

A  atual  grande  oportunidade, também chamada de crise, em que se encontra a economia brasileira, não foi a pioneira nem será a última, para nossa sorte. A humanidade, desde tempos imemoriais, passa por períodos curtos e longos de grande euforia e depressão econômica, com suas respectivas conseqüências políticas  e  sociais. Mais importante do que as lamúrias, é a observação das transformações positivas que esses períodos de alta turbulência oferecem.

Nada como um bom “chacoalhão” na Economia, para tudo colocar no seu devido lugar, e para que as pessoas abandonem o imobilismo e o conformismo diante da vida, visando buscar um futuro melhor. Já dizia o economista liberal austríaco, Ludwig Von Mises, “O capitalismo dá a muitos a oportunidade de mostrar iniciativa.”

Em 2008, ocorreu nos EUA a crise do Sub-Prime, que acabou impactando mais fortemente a Europa e com menos intensidade outros países. O aprendizado foi severo para o povo norte-americano e serviu para relembrar, que o alto endividamento é sempre perigoso. Com relação à Europa, a crise do setor imobiliário ainda persiste, porém com menos intensidade. Espanha, Portugal e Grécia foram os países mais atingidos, porém, saíram fortalecidos. As populações desses três países aprenderam também com muito sofrimento, que o usufruto permanente do chamado Estado de Bem-Estar Social (Welfare State), não poderia sustentar-se por muito tempo, pois, as benesses excessivas oferecidas às atuais gerações estavam comprometendo devastadoramente o futuro das próximas .

Como no Brasil atual, o setor público oferecia vantagens insustentáveis aos servidores, em detrimento do resto da população, que pagava a onerosa conta. Por pressão das populações, os Parlamentos dessas nações eliminaram a estabilidade de emprego em amplos setores da administração dos Estados, elevaram fortemente a idade das aposentadorias, equipararam com o setor privado o valor dos salários e eliminaram outras injustificadas vantagens.

Princípios de aferição de produtividade e meritocracia foram adotados e um enorme contingente de funcionários foi demitido. Grande parte dos déficits públicos de Portugal e Espanha foram diminuídos, a produtividade/funcionário aumentou, bem como a qualidade dos serviços ofertados à população. Também o número de feriados diminuiu acentuadamente, visando tornar os países mais competitivos. Portanto, basta a parte da população, com mais capacidade de percepção e cultura diferenciada, pressionar os políticos para que as mudanças ocorram . E, no Brasil, o momento ideal é o atual. A fragilidade política e a previsível falência da famigerada “Nova Matriz Macroeconômica”, proporcionam a descomunal força necessária para erradicar definitivamente essas idéias retrógradas, de tentar controlar a tudo e a todos. Empreender, estudar muito, observar e opinar com boas idéias. É o que o Brasil precisa de cada cidadão, pois, nenhum país prospera com uma imensa massa de pessoas vivendo na mesmice. Enquanto um sem número de pessoas está absolutamente desorientado e empobrecendo, uma minoria de pessoas está enriquecendo nos diversos setores de atividade empresarial.

O bilionário norte-americano Warren Buffett, famoso por sua frugalidade, sempre diz: …”Se for investir, lembre-se que o pessimismo é nosso amigo e a euforia é o inimigo. Deve-se fugir sempre do chamado espírito de manada”. O também bilionário italiano Carlo de Benedetti também afirmava: “… Amo a força destrutiva do capitalismo, porque significa uma maior liberdade de criar riqueza”. Notadamente nos mercados financeiros e de capitais, há sempre a oportunidade de aproveitar a alta volatilidade dos ativos para fazer bons negócios, com valores de pequena monta. Na Renda Fixa, há a já tradicional Caderneta de Poupança, a compra de títulos públicos pós-fixados (LFTs) pela internet e CDBs (DI), que estão oferecendo alto juro real. Para montantes mais expressivos, há a opção de compra de debêntures, com boas isenções tributárias. Na Renda Variável (Bolsa), há excelentes pechinchas como ações do Itau, Itausa e Bradesco, bem como papéis de empresas exportadoras que têm recebíveis em moeda forte. Há 2 obras consagradas há décadas, que podem ajudar os iniciantes a entender o funcionamento do mercado financeiro e tirar partido das chamadas crises (oportunidades). A primeira chama-se “O Investidor Inteligente”, de Benjamin Graham, Edit. Bovespa e a segunda “Investimento em Valor”, de Christopher H. Browne, Edit. Saraiva.

Acreditando também na força da economia brasileira, Mark Mobius, presidente executivo da Templeton Emerging Markets Group, uma das maiores administradoras de fundos de investimento e carteiras de ações no mundo, declarou recentemente em palestra proferida em São Paulo: “Nós amamos a incerteza, nós amamos a volatilidade, por que sabemos que do ponto de vista de longo prazo o Brasil irá sobreviver e recuperar-se”.

Fernando José Martha de Pinho, Economista.

2 comentários em “Oportunas crises

    1. Caro Davidson, agradeço a sua atenção e enorme carinho com meu trabalho, quero frisar que sou um assíduo leitor de sua coluna no Jornal da Cidade. Grande abraço!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *