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Consolidação do sistema bancário privado no Brasil

A compra do HSBC pelo Bradesco praticamente encerra um ciclo de grandes fusões e incorporações bancárias no país. Desde o momento em que perdeu o posto de maior banco privado brasileiro, ocasionado pela fusão do Unibanco com o Itaú, a  instituição procurava voltar ao primeiro lugar no ranking. Em termos de valor de ativos, a operação aproximou-o do Itaú Unibanco. De acordo com dados publicados na edição de Maio/15, pela conceituada revista Forbes,o Itaú Unibanco Holding ocupa a posição 42, no ranking das 100 maiores empresas de capital aberto no mundo e o Bradesco a posição 61. Indubitavelmente são dois gigantes sólidos, que pertencem ao setor de atividade que pode ser considerado no chamado “Estado da arte“, da excelência em gestão empresarial.

Padrão de eficiência mundial. O Itaú Unibanco tem enfatizado o crescimento via internacionalização das operações e o Bradesco priorizando o mercado interno. Na busca por eficiência, as 2 entidades têm feito vultosos investimentos em “data centers“, preparando-se para ter suporte de TI (Tecnologia de Informação) para os próximos 30/40 anos, já que a tendência aponta para maior ênfase na utilização de bancos digitais em vez de físicos (abertura de novas agências).

A utilização do chamado “Mobile Banking“ tem proporcionado uma grande economia para os bancos, já que diminui acentuadamente a necessidade de grandes contingentes de funcionários/agência, aumentando a produtividade, exatamente como ocorre nos países desenvolvidos. Diga-se de passagem, nesses países, raramente são encontradas agências bancárias com mais de 3 ou 4 funcionários, desde a década de 80. Em junho/15, esteve no Brasil para fazer conferências, o celebrado executivo australiano Brett King, conhecido no segmento financeiro como o futurista dos bancos. Autor do livro “Breaking Banks”, Best Seller nos EUA, França, Canadá, Alemanha e Austrália, afirmou que: “em dez anos, o Brasil vai ter nas ruas metade das agências bancárias que tem hoje“. (Fonte: “A morte anunciada da agência bancária“, Valor Econômico,27/6/15, pág. D-1). Motivo: os clientes não querem mais ir às agências.

A automação bancária já ceifou centenas de milhares de empregos no mundo e no Brasil o processo está só começando. Como a moderna atividade bancária demanda quase que somente pessoas com alto nível de conhecimento técnico para administrar as operações, as pouco capacitadas indubitavelmente acabarão desempregadas pelo setor. Também a pressão dos acionistas por melhores resultados é cada vez mais forte. É uma questão de tempo para essa irreversível tendência acentuar-se. Não há escolha. Como sugestão para a melhor compreensão do tema relativo à história dos dois principais bancos privados do país, bem como as diretrizes que nortearam o crescimento dessas instituições, indica-se a leitura de duas obras primorosas:

1) “Desvirando a página – A vida de Olavo Setubal”, Ed. Global

2)“Amador Aguiar – Uma história de intuição e pioneirismo”,Grifo Projetos Históricos e Editoriais.

Fernando José Martha de Pinho, Economista

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