O cenário macroeconômico atual

Cenário Macroeconômico 2015 e 2016

O Brasil atravessa a pior recessão dos últimos 25 anos, ocorrência que já era claramente previsível desde o último mandato do Governo Lula. A denominada “Nova Matriz Macroeconômica”, concebida no início do mandato de Dilma Rousseff, destruiu as bases da bela obra de Engenharia Financeira que foi o Plano Real, à época estabilizando e consolidando os fundamentos da Economia Brasileira, preparando-a para tornar o Brasil uma Nação respeitada, um grande “player mundial”, como a China na atualidade.

Não seria demasiado citar que o Real, desde a época em que foi adotado, já perdeu aproximadamente 80% do respectivo poder de compra.

Os últimos anos da gestão macroeconômica do país produziram: concessões públicas atabalhoadas, políticas creditícias inadequadas, índices de reajustes salariais incompatíveis com a produtividade da Economia, gastos públicos improdutivos e pouco manejáveis, inchaço do quadro de funcionários públicos, concessão de direitos trabalhistas exagerados, congelamento de tarifas públicas, corrupção em larga escala, exibição de um grau de incompetência administrativa estatal nunca observada, dentre outras infindáveis mazelas.

O objetivo sempre foi único: a manutenção do poder a qualquer custo. A sensação que todos têm é que estamos num “barco à deriva”. Como em outras fases de desordem na Economia Brasileira, a terapia continua baseando-se em premissas erradas. Mais uma vez, os trabalhadores e a iniciativa privada, que em nada colaboraram para os atuais desarranjos, estão pagando a conta dos mesmos. O grau de sacrifício que o Governo Federal está fazendo, visando o processo de saneamento financeiro é mínimo. Basta notar que continuamos convivendo com a existência de 40 ministérios.

Qual a utilidade desse absurdo? Além do mais, a Constituição de 1988, chamada de “cidadã”, deu a algumas categorias de brasileiros , direitos incompatíveis com a capacidade econômica do Brasil, e poucas obrigações. A questão imperativa que fica: Quem paga por tudo isso? Daí deduz-se que precisamos urgentemente rediscutir o Contrato Social do Brasil, pois esse excesso de gastos na atualidade, sem dúvida alguma, já está deixando uma “herança” indesejável para as gerações futuras.

Seria oportuno ressaltar que aproximadamente 90% do Orçamento Federal é composto por gastos obrigatórios. Uma verdadeira aberração em termos de boa técnica de gestão financeira, e que produz uma nova crise a cada 4 ou 5 anos.

Os esforços atuais exercidos pelo Ministro Levy, objetivam trazer uma certa dose de racionalidade às Finanças Públicas, resgatando o já conhecido e consagrado “tripé macroeconômico”: consolidação do Regime de Metas de Inflação, a Política de Superávit Primário das Contas Públicas e o Sistema de Câmbio Flutuante. Instrumentos destinados a baixar a inflação e a Taxa de Juros, além de reconquistar a tão necessária confiança do empresariado. Aliado a isso, o principal, diminuir drasticamente o nefasto grau de interferência do Estado na Economia, que também já arruinou a Argentina, Rússia, Equador, Venezuela, Bolívia, Cuba e recentemente, a Grécia.

Fortes turbulências no cenário macroeconômico, político e social ainda serão enfrentadas pela população brasileira até o fim de 2017 ou 2018, já que os problemas causados à Economia foram gravíssimos. O desemprego deverá aumentar (para que o consumo diminua), a inadimplência das pessoas físicas e jurídicas já aumentou, a taxa SELIC poderá ser elevada até 17% a.a, além do enfrentamento dos dolorosos desdobramentos da Operação Lava-Jato. Há ainda uma crise na relação entre os 3 poderes, uma crise na relação entre a presidente e a população , além de outra entre os integrantes do Executivo Federal.

Felizmente, a Nação precisava passar por esse estágio de desinfecção moral, pois, o mesmo, faz parte da História do Desenvolvimento Econômico-Social dos povos. Sem dúvida, o Brasil sairá mais forte e respeitado desse processo de ajuste, rumo a um futuro mais promissor. Desanimar jamais!

 

Fernando José Martha de Pinho, economista. 29 de julho de 2015.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *