POST_28_MAR_2017

Cenário de Crise? Os caminhos para se investir

TAXAS DE JUROS

A recente diminuição das taxas de juros pagas aos investidores (SELIC), não têm produzido significativo impacto no custo dos empréstimos. A autoridade monetária (BC) trabalha com a hipótese de Selic a 9% a.a e inflação ao redor de 4,5% a.a, para o fim de 2017, desde que haja o aumento da produtividade e efetiva implantação de reformas macro e microeconômicas.

Dado que há muitas incertezas nas economias brasileira e mundial, esse cenário pode não se concretizar. Se isso ocorrer, o sistema bancário não diminuirá as taxas de juros ao consumidor e às empresas, pois, vai proteger-se contra os calotes decorrentes de novas turbulências na economia. Recentes informações publicadas em jornais especializados informam que os bancos Itaú, Bradesco, Brasil e Santander, têm conjuntamente um estoque de créditos em atraso da ordem de R$ 26,4 bilhões. Portanto, fica a sugestão; evite empréstimos de qualquer natureza.

TERCEIRIZAÇÃO

Causou frustração a muitos empresários e especialistas no assunto, a timidez das recentes medidas aprovadas. Fonte permanente de ineficiências nas relações capital-trabalho, não deverá diminuir as incertezas jurídicas das empresas que decidirem contratar por essa modalidade. Ao invés de proteger os funcionários, é causa permanente de atritos entre empregadores e colaboradores. Perde-se mais uma oportunidade de deixar para trás essa incrível vocação que o Brasil tem, com as forças do atraso. Cegueira ideológica que se arrasta desde os anos 50.

Mais um estímulo, para quem está capitalizado em ativos puramente financeiros, a não aventurar-se no mundo empresarial. Grandes fortunas no Brasil e no mundo são administradas a partir de um simples escritório, um simples computador e um único operador do mercado financeiro. Lucros estratosféricos com apenas algumas horas de trabalho por dia e sem maiores problemas. Ouro, dólar, euro, títulos públicos, commodities agrícolas e minerais, ações e opções de ações. Um cardápio apetitoso.

RENDA FIXA

A diminuição da inflação e da SELIC, abriu boas opções de investimento pré-fixados. Há rentáveis oportunidades em títulos públicos (Tesouro Direto), que podem ser adquiridos via Home Broker ou através de boas corretoras de valores.

INDICE DE (IN)FELICIDADE

O  combalido ativismo econômico estatal , prejudicou e continua afetando muitos países ao redor do mundo, inclusa a América Latina, condenando gerações inteiras à miséria e desesperança. O continente onde moramos está há décadas imobilizado, sempre pelos mesmos problemas: políticas econômicas que só geram crescimento de curto prazo ( desastrada heterodoxia ), crises políticas, máquinas públicas oneradas pelo excesso de funcionários apadrinhados e despreparados, promessas nunca cumpridas, oferta de serviços de padrão indigente, corrupção, desrespeito aos eleitores, violência exacerbada, carga tributária excessiva, crescente informalidade no mercado de trabalho, fuga de capitais, sistema educacional fragilizado, desajustes cambiais, déficits públicos crônicos, desabastecimento e inflação descontrolada. Já dizia Milton Friedman, economista norte-americano, Premio Nobel em 1976, que “a inflação é uma doença capaz de destruir uma sociedade”.

Adicione-se a esse  diagnóstico, um aumento brutal do desemprego, como ocorre no Brasil atual, e o termo não teórico que os economistas atribuem ao efeito debilitante sobre as pessoas, que redunda em infelicidade. Tal indicador piorou rapidamente em nosso país, no período 2015/16 .Segundo a Rede de Soluções em Desenvolvimento Sustentável, órgão da  ONU, que  instituiu o Dia Internacional da Felicidade desde 2012 e publica um relatório oficial apresentando a lista de países mais felizes e mais infelizes do planeta, dentre 155 países, o Brasil ficou em 2016 , na posição 22. Entre 2013/15, o país ocupou a posição 17. Entre os dados observados estão: desempenho da Economia (PIB per capita), apoio social, expectativa de vida, liberdade de escolha, generosidade e percepção de corrupção. O ranking é liderado por: Noruega, Dinamarca, Islândia, Suíça e Finlândia. Na outra ponta, os menos felizes são Ruanda, Síria, Tanzânia, Burundi e República Centro-Africana.

No caso latino-americano, a baixa produtividade das economias também contribui muito para esse descalabro, pois se trabalha pouco e com baixo padrão de qualidade. Nesse aspecto, aproveitando o hercúleo esforço que está sendo feito para reformar o sistema trabalhista, previdenciário e tributário, o empresariado e  os setores esclarecidos da sociedade deveriam começar a pressionar os políticos legisladores, objetivando eliminar o excesso de feriados prolongados(Carnaval, Copa do Mundo etc.), que prejudicam tanto a economia, quanto a corrupção, pela perda de produtividade. Será que não há demanda de serviços públicos nessas ocasiões? Não custa lembrar que há um grande e crescente número de pessoas que não tem a mínima afinidade com esses eventos acima elencados. Qual o  objetivo de obrigar essas  pessoas a suportar essa “ditadura”  dos  feriados prolongados?

Infelizmente, a falta de maturidade de grandes segmentos da sociedade brasileira é assustadora, absolutamente incompatível com o desejo de alcançar o pleno desenvolvimento econômico e social. Uma sociedade de zumbis. Outra mazela causada pelo subdesenvolvimento do Cone Sul é a baixa apetência ao empreendedorismo, insuflada pela abertura indiscriminada de vagas no setor público, que acabou tornando-se “objeto do desejo” de muitas pessoas, atraídas por  insustentáveis atrativos salariais, no longo prazo. Todo esse processo de intervencionismo acaba tornando-se um moto–contínuo, pois , as pessoas começam a demandar do Estado, cada vez mais, um nível de tutela crescente, abdicando da saudável prerrogativa de decidir os próprios destinos. E, depois, reclamam que o Estado é ingovernável e paquidérmico.

A sociedade é aquilo que dela fazemos e cabe a cada cidadão, decidir agora, de forma consciente, o que deve ser feito, visando evitar que saiamos do terceiro para o quarto mundo, como parece ser o desejo de muitos.

POST_09_MAR_2017

QUALIFICAÇÃO PROFISSIONAL: UMA NECESSIDADE

As reviravoltas econômicas ocorridas no Brasil, principalmente após 1994(era Collor), expuseram uma faceta cruel do chamado processo de globalização da Economia. De um lado, as empresas demandando profissionais cada vez mais qualificados (mesmo nos momentos de crise) e de outro, um imenso contingente de pessoas oferendo serviços de baixa qualificação. Infelizmente, para a imensa maioria da classe trabalhadora, a tendência é de que sejam criados cada vez menos empregos que demandem baixa qualificação profissional, privilegiando-se os profissionais de alto desempenho técnico, pois, com a automação dos processos de produção de bens e serviços, tende-se a eliminar etapas que agregam pouco ou nenhum valor aos consumidores. Estima-se na atualidade que metade dos empregos ofertados no Brasil atual, sejam passíveis de substituição por máquinas nos próximos 20 anos. Outro problema é a legislação trabalhista, que por ser anacrônica, desestimula o emprego formal.

Por essa razão, não tem sido fácil para muitas empresas preencher todas as vagas disponíveis. Bons empregos sempre existirão (bem como dinheiro para bem remunerá-los), porém, faltam bons candidatos que atendam às exigências atualmente. Recentemente foi publicada uma bem elaborada pesquisa a respeito de estágios e contratações efetivas de recém-formados no Brasil. Um número estarrecedor foi apurado:  apenas 0,003% dos estagiários consegue ser efetivado no emprego. Algo como 3 efetivados a cada 100.000 recrutados.

Para as pessoas que estão à procura de boas colocações ou de condições de expansão do próprio negócio, seria de vital importância que atentassem para algumas habilidades exigidas dos candidatos:

  • Fluência num segundo ou terceiro idioma comercial (inglês, francês, espanhol, alemão ou mandarim),
  • Ter boa redação e qualificado grau de argumentação oral (evitando-se gírias e palavras de baixo calão),
  • Falar bem em público,
  • possuir amplas habilidades informáticas,
  • Dominar e utilizar as técnicas de Marketing Pessoal,
  • Ler diariamente jornais de grande circulação ( Estadão, Folha de S.Paulo, O Globo, Dci e Valor Econômico),
  • Conhecer outros países, notadamente no sentido cultural,
  • Já ter alguma experiência profissional( não necessariamente na área pretendi da),
  • Possuir elevado espírito de equipe, ousadia, senso crítico e “jogo de cintura” , além da disposição constante para trabalhar no mínimo 8 hs/dia.

Objetivando desenvolver algumas das habilidades acima elencadas, outras atividades devem ser também objeto de rotina, como; a leitura de pelo menos uma revista semanal de grande circulação, aproveitar o infindável conteúdo dos  bons sites e blogs de economia , finanças e assuntos relacionados à administração de empresas, assistir aos telejornais comentados como os da TV Cultura, assistir a filmes e peças teatrais de boa qualidade, participar de entidades filantrópicas, visando desenvolver a sociabilidade. Utilizar o tempo dito ocioso, de forma útil, de maneira a agregar conhecimentos novos aos já possuídos, como ler um bom livro, em vez de desperdiçar tempo com atividades que nada acrescentam à carreira de um profissional sério.

Porém, não existem fórmulas mágicas, já que o importante é saber onde se quer chegar.

POST_03_MAR_2017

O Renascimento do Liberalismo Econômico?

 

Causou espanto a muitos estudiosos do cenário político-econômico, a notícia de que, após uma década, volta-se ao assunto da terceirização do trabalho no Brasil. A prática, já adotada há décadas nas economias desenvolvidas, impulsionou enormemente os ganhos de produtividade, bem como o progresso social, e começou finalmente a deixar “os porões da Idade Média” do tradicional pensamento econômico obscurantista brasileiro. Ranço ideológico cultivado por alguns ‘iluminados’ das Ciências Sociais e entusiastas do fortalecimento das amarras governamentais em todos os setores.

Quando quase toda a América Latina desmorona, vítima do intervencionismo governamental, não deixa de ser um alento aos cidadãos honrados, que não tiram seus respectivos sustentos do Estado, porém contribuem para o suporte dessas estruturas ineficientes e profundamente corruptas.
A leitura atenta dos artigos de profissionais de Economia e Finanças, relatórios de consultorias e bancos, o comparecimento às assembleias de empresas de capital aberto, o contato com pesquisadores e empresários traz uma única mensagem: apesar de alguns indicadores macroeconômicos terem melhorado em relação a 2016, isso não é suficiente para convencer as pessoas a consumir e investir.

As pesquisas a respeito da melhora das perspectivas para a economia brasileira, não se coadunam com a realidade divulgada informalmente pelos agentes econômicos. E o problema é a falta de credibilidade na política. Afinal, foram tantas as mentiras, que o nível de confiança simplesmente acabou. E a pergunta que as pessoas fazem é: Por que acreditar? O que virá no período pós-Temer? Só haverá mais um ano de mandato. Não há tempo para resolver grande parte dos problemas. Qual será a orientação ideológica do próximo presidente? Será que vale a pena arriscar, conhecendo o histórico da política econômica? É melhor não tomar riscos desnecessários.


Levará muitos anos para despertar o ‘espírito animal’ do empresariado, até porque, na análise dos balanços de empresas altamente capitalizadas, nota-se que, quem pouco investiu na atividade produtiva, cortou custos trabalhistas e ficou com alta liquidez concentrada no mercado financeiro, remunerou bem o capital próprio, além de preservar o patrimônio com risco desprezível. Isso significa que empresários prudentes e capacitados, observadores das conjunturas econômicas e políticas nacionais e internacionais são sempre bem sucedidos, pois permanecem imunes ao “efeito manada”.

Como já é sabido que a economia brasileira passa por solavancos a cada 4 ou 5 anos, podemos antever que, por volta de 2020/2, conseguiremos a proeza de auto-produzir uma nova depressão econômica, independentemente do que ocorra no exterior. E a culpa, invariavelmente recairá sobre povos estrangeiros. Afinal, incompetentes sempre culpam terceiros por seus infortúnios. Nunca é demais relembrar que episódios de instabilidade econômica e política foram muito propícios a quem buscou aumentar e solidificar patrimônios, aproveitando-se da volatilidade do mercado, principalmente quem capitalizou-se, ao contrário da maioria que endividou-se.
Se nossas autoridades não entenderem que o empresariado tem que ser prestigiado, nunca seremos modelo para ninguém. Nenhum país pode ser forte se o setor privado estiver desmotivado e enfraquecido.

 

Foto: Olly/Fotolia

O que podemos esperar de 2017?

Para muitos cidadãos brasileiros o ano de 2016 será um intervalo de tempo a esquecer. Para outros, celebrado com grande euforia. A ser esquecido pois:

1. Precisamos suportar um brutal processo recessivo para decidir defenestrar a ex-presidente;
2. Assistimos ao desnudamento completo das nefastas relações entre o público e o privado;
3. Passamos pelo trauma de certificar-nos de como os maus políticos usam e abusam da função pública e por que não merecem crédito
4. Presenciamos a ruína de dois partidos políticos (PT e PMDB), que sempre apresentarem-se como paladinos da moralidade;
5. Verificamos que a juventude de nossa democracia ainda nos condenará a muitos anos de convivência conflituosa entre os 3 poderes;
6. Estamos sofrendo os maiores índices de desemprego, inadimplência e ruína de empresas já vistos na história econômica de nosso país;
7. O Brasil está sendo governado por políticos que a qualquer momento podem ser afastados do poder gerando um incessante processo de volatilidade política, econômica, social, etc.

Para os cidadãos que estão celebrando o momento atual, há sempre a esperança de ver resolvidos, pelo menos em parte, os problemas acima elencados. Afinal, é indubitável que a nação brasileira precisava passar por esse doloroso processo de saneamento moral.

O Brasil apresenta-se permanentemente como detentor de grande potencial de desenvolvimento, porém, tudo ainda está por ser feito ou aperfeiçoado, o que gera grandes oportunidades de investimento. Este articulista já ouviu de imigrantes portugueses, italianos, espanhóis, alemães, judeus, árabes e japoneses que vieram para o nosso país nos anos 40 e 50 e que aqui enriqueceram em larga escala, que nós brasileiros nunca soubemos utilizar com sabedoria o território que nos pertence. Precisamos aceitar com humildade essa desabonadora realidade.

Quanto ao ano de 2017, ainda será de grandes agruras para o povo brasileiro dado o elevado grau de avarias provocadas por muita incompetência, arrogância e desonestidade na esfera federal. Porém, 2018 e 2019 avizinham-se com melhores perspectivas dada a melhora no ânimo empresarial, mesmo diante dos fatos de que o nível de desemprego não cede, o movimento de vendas de Natal registrou recuo de 4% em relação a 2015 (que já foi fraco), a arrecadação tributária declina acentuadamente e a inflação só está cedendo dado o baixo nível de atividade econômica. Nesse aspecto, dado o histórico brasileiro, a mesma costuma retornar com ímpeto quando a atividade econômica reaquece em função de grandes desequilíbrios macroeconômicos que assolam há décadas a economia brasileira.

Um setor muito carente de investimentos e que poderá tornar-se um forte alavancador do Brasil juntamente com a melhora do ambiente de negócios (Reformas Trabalhista, Previdenciária e Política) é o de infraestrutura. Segundo informações publicadas recentemente por organizações especializadas, o Brasil demorará 20 anos para ter um conjunto de infraestruturas de padrão mundial desde que consiga destravar as concessões e atrair investidores para as mesmas, pois só investimos 2% do PIB nessa rubrica, percentual ínfimo em relação às nossas necessidades.

O momento econômico mundial é muito propício ao atendimento dessa necessidade brasileira, pois há um montante gigantesco de liquidez no sistema financeiro internacional aplicado a taxas de juros próximas de zero ou negativas. Especialistas no setor afirmam que o Brasil só conseguirá desenvolver-se favoravelmente nesse quesito se investir no mínimo 5,5% do PIB/ano durante 20 anos, abarcando os setores de energia, telecomunicações, saneamento e transportes. Um percentual impensável na atualidade dada a barafunda fiscal atual vivida pelas Finanças Públicas brasileiras se dependermos só de aportes públicos. Como exemplo, podemos tomar a realidade da China, com investimento médio anual em infraestrutura de 8,8% do PIB, seguida da Índia, com 5,2%; Japão com 4%; Canadá com 3,5%; Itália com 2,4%; Estados Unidos com 2,4% e França com 2,1%.

O Brasil no aspecto do desenvolvimento econômico e social é paradoxal. O que explica o fato de que uma população que mora em favelas sem água, luz, esgoto, asfalto, transporte, saúde e educação de qualidade, tenha acesso à telefonia 4G? O que será mais importante para o atual estágio de desenvolvimento dessas pessoas? É uma permanente inversão de prioridades, um verdadeiro apagão de inteligência estratégica que tem como causa a existência de um grande espectro de pessoas de baixa capacidade intelectual e de reflexão. Nosso país pode e muito, mas dependerá das escolhas sensatas de cada cidadão.

Euforia x Realidade

É indiscutível o fato de que houve uma melhora significativa no ânimo de empresários e consumidores, no tocante às recentes medidas tomadas pelo Governo Federal, objetivando ressuscitar a economia.

A aprovação da PEC 241, a diminuição do preço da gasolina (apesar de ainda não ter chegado ao bolso do consumidor), a notícia de que o montante a ser arrecadado com multas no processo de regularização de ativos no exterior vai garantir o cumprimento da meta fiscal, a diminuição da Taxa Selic e dos diversos índices inflacionários ajudaram a trazer alento. Porém, isso é muito pouco para ajudar a voltar a aquecer a economia, que está padecendo de um recorde absoluto em termos de: desemprego, infelicidade, inadimplência, cancelamento de planos empresariais, falências, recuperações judiciais e decréscimo permanente das receitas tributárias.

Sabe-se que o ajuste deverá ser gradual, porém, persistente, e nesse aspecto o cidadão tem em mãos uma oportunidade única de exercer pressão implacável sobre os políticos, para que votem as medidas necessárias à solução desses terríveis problemas, pois a equipe econômica nada poderá fazer sem a ajuda do Congresso e do Senado.

Queda da inflação x Taxas de juros ao consumidor

As contínuas quedas dos diversos índices inflacionários têm induzido muitas pessoas a tomar como definitiva a diminuição dos preços na economia. Nada mais errôneo.

O  setor de serviços continua com uma resistência tremenda a baixar preços e é onde apresenta-se o maior perigo para o refluxo da inflação. Também foi anunciado recentemente o aumento dos preço do etanol nas bombas, bem como um reajuste nas tarifas de energia elétrica. Ambos são insumos que devem causar algum impacto inflacionário.

É inegável também o fato de que a falta de renda da população fez com que o consumo diminuísse acentuadamente, colaborando para a baixa da inflação. Porém, dado o terrível histórico inflacionário de nosso país, fica a dúvida: será que quando a economia voltar a crescer com vigor, a inflação não recrudescerá fortemente?

Com as taxas de juros ao consumidor na modalidade cartão de crédito atingindo  480,3% ao ano, uma pessoa endividada vai pagar aproximadamente cinco vezes mais por sua dívida original ao fim do financiamento. E se a inflação voltar a acelerar corre o risco de ter sua dívida ainda mais aumentada pelo contínuo aumento da taxas de juros.

Portanto, muito cuidado com o endividamento e a euforia do consumo, o chamado efeito manada.

Bolsa de valores e economia real

Nos últimos dois meses os negócios na Bolsa de Valores deram um salto considerável. Impulsionados por processos de melhoria na economia, investidores brasileiros e estrangeiros foram às compras, visando aproveitar os baixos preços de papéis de empresas de classe mundial.

Também as perspectivas de saneamento das finanças da Petrobras ajudaram no processo, já que a estatal tem grande peso no índice Bovespa. Atenção especial deve ser dada ao setor financeiro privado, notadamente o Itaú (itub3 e itub4), que deve ter seus lucros alavancados fortemente no próximo ano, devido a uma gestão de classe superior, diminuição de custos e dos índices de inadimplência.

Para quem deseja formar um patrimônio sólido de longo prazo, o papel está com com excelente preço no momento.

Nível de emprego e perspectiva para 2017

Com um número já elevado de doze milhões de desempregados em setembro, a quantidade de demissões superou as contratações em 39,3 mil de acordo com dados do CAGED. A divulgação de tal indicador revela continuidade na trajetória de recuo de perda de postos de trabalho com carteira assinada.

A reversão dessa tendência não garantirá que muitas categorias profissionais retomem o padrão de emprego vigente durante a era Lula e Dilma, pois é muito comum, após uma grave recessão, as empresas que despediram aperfeiçoarem o quadro de funcionários extinguindo algumas funções por meio da automação, objetivando baixar custos. Afinal , as crises sempre geram oportunidades para ganhos de eficiência produtiva.

A Reforma trabalhista pode acelerar o processo de recuperação do nível de emprego, principalmente se flexibilizar as relações capital x trabalho, diminuindo os custos de contratação e demissão.

Tempo de Espera

Encontra-se o Brasil com um dos maiores índices de desemprego de sua triste história econômica, um contingente próximo à da população da cidade de São Paulo. A reversão dessa barbárie só ocorrerá se o empresariado, de maneira geral, convencer-se que o jogo político em curso, onde Michel Temer terá de enfrentar, inclusive, oponentes dentro da base aliada, será favorável ou não às necessidades do país, já que muitos políticos ainda não vislumbraram o estado deplorável da economia e do tecido social.

Na atualidade, sem fortes investimentos privados, não há a mais remota possibilidade de crescimento econômico e social. Para que o chamado “espírito animal” empresarial seja despertado, algumas decisões duras terão que ser tomadas imediatamente: uma diminuição acentuada da taxa de juros (que choca-se com o problema da inflação resistente em altos patamares), avanço  das Parcerias Público-Privadas objetivando a reconstrução da precária infraestrutura brasileira, diminuição do déficit público visando recuperar a capacidade de investimento estatal (União, Estados e Municípios) e reforma contundente da claudicante Legislação Trabalhista, com ênfase na aprovação do Marco Legal, incrementando e aperfeiçoando o processo de terceirização das atividades.

Não seria por demais afirmar que se a população em geral não pressionar os políticos essas mudanças não ocorrerão e o nível de emprego não se recuperará tão cedo. A inação nesse aspecto delegará ao avanço da tecnologia a oportunidade de tornar a Legislação Trabalhista, letra morta, já que muitas das chamadas atividades-fim estão desaparecendo em caráter mundial. Algumas notícias ajudam a focar melhor o problema.

1. Título: “Navios de Carga Podem Dispensar Tripulação no Futuro” 

(…) Projetistas de navios, operadores e reguladores estão se preparando para um futuro em que embarcações de carga irão cruzar os oceanos com uma tripulação mínima ou mesmo sem nenhuma. Avanços na automação e uma comunicação de dados cada vez mais veloz, mesmo no meio do oceano, podem causar a maior transformação no transporte marítimo desde que os motores diesel substituíram os a vapor. (…) Uma futura embarcação não tripulada pode se assemelhar aos mais avançados drones de combate. Ela poderia ter detectores infravermelhos, câmeras de alta resolução e sensores a laser para monitorar seus arredores. (…) Pode-se chegar a navios cargueiros não tripulados até 2030 e navios totalmente autônomos até 2035.

(Fonte: Valor Econômico, 2/9/16, pág. B-9)

2. Título: “A Vida na Mina Sem Ninguém ao Volante”

(…) Na Suécia, a montadora de veículos pesados Volvo desenvolveu um novo caminhão para uma mineradora. Tal caminhão é chamado FMX. O referido veículo fica tão escondido quanto a prata e o ouro explorados pela mina de Boliden, de onde saem também cobre e zinco. Com a ajuda de sensores, o veículo circula a 800 metros de profundidade. (…) Um mundo de veículos sem motorista, seria uma maravilha. Ele não precisa sequer olhar para a trilha percorrida pelo FMX. O caminhão segue em frente, desliza suavemente em curvas sinuosas e, finalmente, dá, sozinho, a marcha a ré, para voltar ao ponto de partida. (…) No Brasil, o caminhão autônomo já começou a ser testado também em plantações de açúcar.

(Fonte: Valor Econômico, 6/9/16, pág. B-3)

3. Título: “O Bolsa Família dos Países Ricos”

(…) Um estudo feito pela Universidade de Oxford, na Inglaterra, analisou 700 postos de trabalho, com diferentes graus de complexidade e chegou à conclusão de que 47% deles poderão ser automatizados nos próximos 20 anos. Robôs comandados por algoritmos deverão ser capazes de realizar tarefas que sempre precisaram de interação humana, como dirigir automóveis e caminhões para o transporte de mercadorias. Estima-se que um terço dos postos de trabalhos no setor de varejo na Europa desaparecerá até 2025, em razão do desenvolvimento da robótica.

(Fonte: Revista Exame CEO, 09/16, págs. 58/59)

4. Título: “Bancos tentam controlar despesas com redução de agências e pessoal”

(…) Para cortar gastos, as medidas adotadas pelas instituições financeiras têm ido em duas principais linhas: a redução de agências e a diminuição do quadro de pessoal. (…) Nos 12 meses encerrados em junho, os 4 grandes bancos fecharam um total de 413 agências. Para comparação, apenas 19 agências foram fechadas  entre junho de 2014 e junho de 2015. (…) A redução das agências está ligada ao uso crescente de canais de atendimento digital por parte dos clientes. (…) Os bancos também têm enxugado o quadro de funcionários, em especial ao não repor aqueles que deixam a instituição ou se aposentam. Entre junho de 2015 e junho de 2016 os 4 maiores bancos cortaram 12.200 postos de trabalho.

(Fonte: Valor Econômico, 13/9/16, pág.C-1)

5. Título: “Uber lança primeira frota de táxis autoguiados”

(…) O Uber lançou, ontem, sua primeira frota de táxis autoguiados em Pittsburgh, Pensilvânia (EUA), e pulou à frente de empresas como Google, Tesla, Ford e GM na corrida para desenvolver tecnologias para veículos autônomos. (…) Para o Uber, os veículos autônomos são uma aposta de longo prazo no que a empresa acredita que será o futuro do transporte urbano e no que poderia, no fim das contas, reduzir o custo do transporte ao acabar com a necessidade de motoristas. Portanto, assim como já ocorreu em países desenvolvidos, logo o Brasil será alcançado por essas tendências de automação em velocidade acelerada, provocando irreversíveis danos ao já decrescente número de postos de trabalho.

(Fonte: Valor Econômico, 15/9/16, pág.B-6)